Por Marcelo Cattani
As cuícas silenciam. As cuecas dos malungos da política paranaense dão os primeiros sinais. O ano começa agitado no Centro Cívico nesse 10 de março. Nunca antes na história política do Paraná redemocratizado houve tão pouco material humano de qualidade nas prateleiras eleitorais. A escassez levou à concentração.
Os rios que guiam nosso futuro passam praticamente por quatro grandes forças capazes de mover a engrenagem sensorial do eleitor paranaense: Ratinho Junior, Sérgio Moro, Alexandre Curi e Rafael Greca. Fora desses quatro pilares nada de novo no front. Partidos políticos tradicionais no Paraná acabaram ou estão em vias de.
Então – para um afegão médio que entenda pelo menos dois movimentos do tabuleiro de xadrez da política local – os dois primeiros atores desse quarteto fantástico que fizerem o roque protegem seu exército político nas estruturas do poder.
Os bantos da planície, que sobrevivem com filminhos de TikTok, plantando notinhas em blogs conhecidos somente na praça Nossa Senhora de Salete, vão ter que se aprumar com velocidade ao projeto político que provoque menos acidez.
Dia 10 de março o todo poderoso marechal de campo de Ratinho Junior, João Carlos Ortega, envia à Assembleia Legislativa um redesenho da estrutura estatal para acomodar a horda de aliados. Ex-prefeitos e lideranças dos quatro cantos esperam seu novo posto estatal para planejar 2026. Destaque especial para Leonaldo Paranhos, de Cascavel.
E é justamente a Secretaria das Cidades que dará o tom desse novo rali. Existe um compromisso do governador com Rafael Greca. E quem conhece Ratinho Junior sabe que ele tem palavra – uma coisa rara entre os detentores de poder da atualidade para os quais o compromisso de ontem não vale mais amanhã. Ou não há compromisso firmado que não deva ser desatado.
Quando Alexandre Curi iniciar os trabalhos da Assembleia lendo o projeto de lei encaminhado pelo governo, saberemos o tom e o alcance da reforma e suas consequências. Cada dia mais perto de viabilizar seu nome como candidato a presidente, Ratinho Junior não vai errar. Com enredo e harmonia com Jair Bolsonaro, o governador dispõe de uma comissão de frente de notáveis comunicadores e estrategistas: Ratinho Pai, Jorge Gerez e Cleber Mata.
Eles sabem que a aliança estratégica com o senador Sérgio Moro pode agregar um novo adereço ao necessário discurso de enfrentamento contra Lula e a esquerda: o combate à corrupção e seu males. O Lavajatismo tem seu poder silencioso.
Por sua vez, Sérgio Moro não tem grande grupo ou exército faminto por sinecuras e prebendas. Líder absoluto em todas as pesquisas de opinião, é favorito apesar da reza braba dos desafetos. Quer olhar para frente e surpreender.
Rafael Greca saiu chamuscado das eleições ano passado. Mas possui o que poucos tem: cultura, popularidade e vontade. Alexandre Curi luta com todas as forças do sistema político a seu lado. Mas o desempenho de Cristina Graeml (a única força política nova no jogo) foi um claro sinal de que o eleitor está de maus bofes com o sistema.
Atento à movimentação desses quatro avatares, Ricardo Barros e um time de hábeis e inteligentes políticos flutua esperando essas definições. Para o jogo começar de verdade, resta saber quem será o escolhido por Lula, Gleisi Hoffmann e o campo progressista para perder a eleição no Paraná.
Marcelo Cattani é jornalista e publicitário com 34 anos de experiência em eleições no Paraná. Especialista em Estratégia e Inovação para campanha eleitorais. Foi secretário de Estado da Comunicação Social entre os anos de 2011 e 2015.