Paraná se destaca como destino migratório e consolida papel de integração no Brasil

Curitiba, 14 de dezembro de 2022 - Pedestres no centro da capital paranaense.

O Paraná se consolidou como um dos principais destinos migratórios do Brasil nos últimos anos. Entre 2017 e 2022, o estado recebeu 377.237 migrantes vindos de outros estados brasileiros e do exterior, segundo os dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento revela que o estado também registrou 32.394 naturalizações de estrangeiros no período, a segunda maior taxa do país.

Do total de migrantes que chegaram ao Paraná, a maioria veio de outras unidades da federação — um total de 327.943 pessoas. Os principais estados de origem foram São Paulo (105.546), Santa Catarina (55.870), Rio Grande do Sul (16.713), Mato Grosso do Sul (15.956) e Rio de Janeiro (15.064). No mesmo intervalo, 242.898 paranaenses deixaram o estado para residir em outras regiões do país, resultando em um saldo migratório interno positivo de 85.045 pessoas, o quinto maior do Brasil.

A taxa líquida de migração do Paraná foi de 0,74%, número que mostra o impacto direto da movimentação populacional no crescimento demográfico estadual. O indicador é calculado a partir do saldo migratório em relação à população total.

Presença internacional crescente

A migração internacional também se intensificou no estado. Nos últimos cinco anos, 49.294 estrangeiros passaram a residir no Paraná, sem considerar os naturalizados. A maior parte dos imigrantes vem da América Latina, com destaque para os venezuelanos (22.125), paraguaios (7.709), haitianos (3.971) e argentinos (1.787). Também há presença significativa de colombianos, peruanos, bolivianos e cubanos.

Fora da América Latina, os principais grupos vêm dos Estados Unidos (2.003), Japão (1.209), Portugal (1.155), Reino Unido (782), Itália (553) e Espanha (521). O estado abriga pessoas de 71 nacionalidades diferentes, refletindo uma grande diversidade cultural.

Paralelamente, o Paraná também lidera em número de concessões de cidadania brasileira a estrangeiros. Com 32.394 naturalizações registradas entre 2017 e 2022, o estado representa cerca de 15% do total nacional, ficando atrás apenas de São Paulo (72.317). Esse número reforça o papel dos municípios paranaenses como centros de permanência e integração para imigrantes.

Políticas públicas de acolhimento

Para fortalecer essa vocação, o Paraná firmou recentemente um acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), vinculada à ONU. A parceria visa aprimorar políticas públicas de acolhimento e proteção a migrantes, com atenção especial àqueles em situação de vulnerabilidade social.

O estado também criou a Superintendência de Governança Migratória, ligada à Secretaria da Justiça e Cidadania. O órgão coordena iniciativas como o Centro Estadual de Informações para Migrantes, Refugiados e Apátridas (CEIM), localizado em Curitiba, com o objetivo de facilitar o acesso à cidadania, educação, saúde e trabalho.

Atualmente, a rede estadual de ensino atende mais de 15 mil estudantes estrangeiros, com suporte pedagógico adaptado às especificidades linguísticas e culturais, contribuindo para a inclusão social desde a infância.

Crescimento atrativo

No cenário nacional, o Paraná se mantém como um dos estados com maior atratividade migratória. Em termos de saldo migratório interno, ficou atrás apenas de Santa Catarina, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso. Já em relação à migração internacional, foi o quarto estado que mais recebeu estrangeiros, superado por São Paulo, Roraima e Santa Catarina.

O Censo 2022 destaca o papel central da migração no desenvolvimento regional e na dinâmica populacional brasileira. No caso do Paraná, os dados confirmam que o estado tem se tornado, cada vez mais, um polo de oportunidades, inclusão e diversidade.