O cenário político internacional ganhou novos contornos nesta segunda-feira após o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicar uma mensagem em defesa de Jair Bolsonaro e contra os processos judiciais enfrentados pelo ex-mandatário brasileiro. A fala provocou forte repercussão no Brasil, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondendo sobre soberania e independência institucional.
Em postagem feita na rede social Truth Social, Trump classificou os processos contra Bolsonaro como uma “caça às bruxas” e afirmou que o único julgamento legítimo deveria ser o “dos eleitores do Brasil”. “Estarei assistindo à caça às bruxas de Jair Bolsonaro, de sua família e de milhares de seus apoiadores, muito de perto”, escreveu o ex-presidente norte-americano, comparando o caso brasileiro com o que chamou de perseguição política sofrida por ele próprio nos Estados Unidos.
“Ele [Bolsonaro] não é culpado de nada, exceto por ter lutado pelo povo”, afirmou Trump em tom enfático.
A manifestação de Trump gerou celebração no círculo bolsonarista. Bolsonaro declarou ter recebido a fala do ex-presidente norte-americano “com alegria”, exaltando a relação próxima que os dois mantiveram durante seus respectivos mandatos.
“Trump é um grande chefe de Estado. Este processo que respondo é uma aberração jurídica, clara perseguição política já percebida por todos de bom senso”, disse Bolsonaro.
Lula responde: “Brasil não aceita tutela”
Sem mencionar diretamente Donald Trump, o presidente Lule respondeu com firmeza à tentativa de interferência estrangeira. Em mensagem nas redes sociais, Lula declarou que a defesa da democracia é uma tarefa dos brasileiros e reforçou que o país possui instituições sólidas e independentes.
“Não aceitamos interferência ou tutela de quem quer que seja. Ninguém está acima da lei, sobretudo os que atentam contra a liberdade e o Estado de Direito”, afirmou o presidente, num claro recado à retórica de Trump.
Interferência ou solidariedade política?
A manifestação de Trump reabre o debate sobre os limites da solidariedade ideológica internacional e a interferência indevida em assuntos internos de países soberanos. Especialistas em relações internacionais alertam para o impacto simbólico — e potencialmente desestabilizador — de líderes estrangeiros endossarem discursos que colocam em dúvida o funcionamento da Justiça de outro país.
Além disso, a fala de Trump ocorre num momento delicado para Bolsonaro, que responde a diversos processos no Brasil, incluindo investigações sobre tentativa de golpe, uso indevido da máquina pública e ataques às instituições democráticas.
A troca de apoios entre Trump e Bolsonaro, que já marcou seus mandatos com forte alinhamento ideológico e discurso de ultradireita, agora se estende também ao campo jurídico. Ambos alegam ser vítimas de perseguições políticas e judicializações orquestradas por seus adversários.
