Em vez de se colocarem ao lado da população brasileira em meio à grave crise diplomática e econômica com os Estados Unidos, os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), preferiram usar suas posições de poder para defender autoridades já protegidas pelos altos cargos que ocupam. A postura dos dois parlamentares tem sido duramente criticada por setores que cobram mais firmeza e menos subserviência institucional.
Na noite desta quarta-feira (30), Alcolumbre divulgou uma nota em que evita qualquer menção direta ao ministro do STF Alexandre de Moraes, alvo de sanções internacionais por parte do governo norte-americano, e concentra seu discurso na defesa abstrata das instituições. Segundo ele, “o Congresso Nacional não admite interferências na atuação dos nossos Poderes” e “confia no fortalecimento do Poder Judiciário”.
Apesar do tom institucional, o comunicado ignora os reais efeitos da crise sobre a vida do brasileiro comum. As tarifas de 50% impostas pelos EUA a produtos nacionais já provocam reações no setor agrícola, na indústria e no comércio exterior. O silêncio de Alcolumbre sobre os impactos diretos à economia e ao emprego, enquanto se preocupa com a blindagem de autoridades, soou, para muitos, como uma escolha política clara: a de proteger o sistema em detrimento do povo.
Horas antes, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, também divulgou nota condenando “sanções a membros de qualquer Poder constituído da República”, sem uma única linha de solidariedade ao setor produtivo nacional ou aos trabalhadores que serão afetados pelas medidas norte-americanas.
“Como país soberano, não podemos apoiar nenhum tipo de sanção por parte de nações estrangeiras”, disse Motta, colocando na mesma balança os direitos de ministros do Supremo e os de brasileiros comuns — que sequer foram mencionados em sua declaração.
Críticas crescentes
Nos bastidores do Congresso, cresce o descontentamento entre parlamentares que defendem maior transparência e equilíbrio. “É preciso lembrar que o povo brasileiro não sancionou ninguém, mas pagará a conta da crise”, afirmou um senador da oposição, sob reserva.
A reação de Alcolumbre e Motta mostra o distanciamento de boa parte da cúpula do Congresso em relação à realidade nacional. Em vez de exigir esclarecimentos ou se posicionar de forma firme contra abusos de autoridade — internos ou externos —, optaram por discursos que alimentam a impunidade e reforçam a desconexão entre Brasília e o restante do país.
Omissão ou conveniência?
Enquanto parlamentares aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro pressionam por medidas mais duras contra ministros do STF, como o impeachment de Alexandre de Moraes, Alcolumbre evita qualquer debate sobre o tema. A justificativa de que o Senado busca “diálogo equilibrado” soa, para muitos, como retórica vazia, diante da gravidade da situação.
A postura de ambos os presidentes do Congresso Nacional levanta uma questão incômoda: de que lado estão Davi Alcolumbre e Hugo Motta — do povo brasileiro ou dos que já vivem protegidos pelos privilégios do poder?
