A direita volta às ruas e deixa um recado claro: não vai parar

As manifestações realizadas neste domingo (3) por todo o país mostram que a direita brasileira voltou às ruas, e voltou com força. Dezenas de milhares de pessoas, vestindo verde e amarelo, ocuparam praças, avenidas e pontos simbólicos em mais de 70 cidades para dizer, em alto e bom som: fora Alexandre de Moraes, fora Lula, queremos liberdade e respeito à Constituição.

O movimento teve seu epicentro na Avenida Paulista, mas Curitiba, sempre pulsante na defesa das liberdades, foi uma das primeiras capitais a engrossar o coro pelo impeachment de Moraes e pela rejeição ao governo petista. O deputado federal Filipe Barros (PL-PR), que participou do ato, resumiu o sentimento coletivo ao afirmar que “a perseguição política e judicial à direita está corroendo a democracia brasileira”. E ele tem razão: os inquéritos intermináveis, as prisões sem julgamento e as restrições políticas impostas a opositores configuram um cenário cada vez mais autoritário.

Mas Curitiba não esteve sozinha. Manifestações aconteceram em mais de 70 cidades, com epicentros em São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador e tantas outras. Na Avenida Paulista, a multidão lotou quarteirões inteiros, empunhando bandeiras do Brasil, faixas contra o Supremo Tribunal Federal e palavras de ordem contra o presidente Lula.

Os atos foram mais do que protestos, foram demonstrações de força política e mobilização social. Foram gritos de indignação contra o autoritarismo judicial, contra as perseguições seletivas e contra um governo que, na avaliação dos manifestantes, traiu os princípios da democracia e da soberania popular.

Na boca da multidão, nomes e símbolos estavam claros. Alexandre de Moraes, cada vez mais visto como figura central do embate entre Poder Judiciário e liberdade de expressão, foi o alvo principal dos discursos inflamados. Já o presidente Lula foi lembrado como representante de um sistema que, na visão dos manifestantes, está desconectado da realidade do povo brasileiro.

Cartazes exigindo a anistia aos presos do 8 de janeiro de 2023, faixas denunciando abusos do STF, e clamores por uma nova onda de oposição estruturada marcaram a paisagem dos protestos. A ausência do ex-presidente Jair Bolsonaro não arrefeceu os ânimos. Pelo contrário — a impossibilidade de sua presença física serviu de combustível para a narrativa de que tentaram calar uma voz, mas ergueram milhões.

A presença de deputados como Nikolas Ferreira (PL-MG), Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), Paulo Bilynskyj (PL-SP) e Filipe Barros (PL-PR), entre outros, deu peso institucional ao movimento. O apelo feito por Nikolas à mobilização no próximo 7 de setembro já antecipa que o domingo foi apenas o início de uma nova fase. A direita quer ocupar novamente as ruas e as pautas.

Curiosamente, os governadores de direita que sonham com a presidência em 2026 — Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior — preferiram o silêncio. Essa omissão, no entanto, pode lhes custar caro. A base conservadora está atenta e exigente.

A verdade é que o Brasil assistiu, neste domingo, ao renascimento da militância conservadora nas ruas. E o recado foi claro: a direita voltou — e não vai parar.