Renúncia de Felipe Francischini abre caminho para Sergio Moro no União Brasil do Paraná

A renúncia, na minha opinião surpreendente,  do deputado federal Felipe Francischini à presidência do União Brasil no Paraná, anunciada nesta quinta-feira (4), rearruma as peças da política estadual. O gesto abre espaço para que o senador Sergio Moro assuma o comando do diretório, movimento que vinha sendo costurado internamente pela direção nacional do partido.

A saída de Francischini evitou o desgaste de uma eventual intervenção solicitada por Moro, e contou com a bênção do presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda. A mudança fortalece o ex-juiz da Lava Jato, que passa a ter estrutura partidária e apoio de nomes como Rueda e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para consolidar sua candidatura ao governo do Paraná em 2026.

O agora ex-presidente estadual ainda não definiu seus próximos passos. Nos bastidores de Brasília, circula a informação de que Renata Abreu, presidente do Podemos, teria oferecido espaço para que ele ingresse na legenda. O convite, no entanto, divide filiados paranaenses do partido.

Outra possibilidade é que Francischini siga no União Brasil, aproveitando sua relação com Rueda para ocupar papel de destaque na Federação União Progressista, que reúne União Brasil e Progressistas.

Resistência no Progressistas

O maior desafio de Moro, porém, está em convencer aliados dentro da própria federação. Ricardo Barros, líder do Progressistas no Paraná, tem sinalizado resistência à ideia de alinhar-se de imediato ao senador. A postura pode ser estratégica: manter distância de Moro obriga o Palácio Iguaçu a atender demandas da bancada federal do PP antes de qualquer definição sobre 2026.

Outro ator que observa atentamente o cenário é o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca.  Greca avalia alternativas para permanecer no jogo, uma filiação ao Progressistas é cogitada.