UFPR reage à atuação da PM em evento polêmico e crise gera disputa judicial

A Universidade Federal do Paraná (UFPR) anunciou, nesta semana, uma série de providências para preservar sua autonomia universitária e garantir a proteção da comunidade acadêmica após a atuação da Polícia Militar no Prédio Histórico da instituição, durante o agendamento do evento “O STF e a interpretação constitucional”, que ocorreria na última terça-feira (9).

A presença de agentes da PM, sem solicitação formal da universidade e com uso considerado desproporcional da força, motivou manifestações da Reitoria e da Direção do Setor de Ciências Jurídicas. Em nota oficial, a UFPR informou que notificou o comando da corporação, solicitou acesso ao relatório da ocorrência e pediu a identificação da origem da ordem que determinou o envio da tropa.

Além disso, a universidade acionou a Defensoria Pública, a OAB-PR e o Conselho Permanente dos Direitos Humanos do Paraná (COPEDH/PR) para acompanhamento do caso, além de encaminhar representação ao Ministério Público Estadual e Federal para apuração de possíveis excessos.

O episódio também gerou uma convocação de ato público, intitulado “Resgate das Universidades”, marcado para o próximo domingo (21), às 14h, em frente ao prédio histórico da UFPR, na Praça Santos Andrade, em Curitiba. A mobilização busca defender a autonomia universitária e criticar a escalada de tensões registradas durante a tentativa de realização da palestra.

Paralelamente, o episódio abriu uma frente judicial. O vereador Guilherme Kilter (NOVO), que seria um dos palestrantes ao lado do advogado Jeffrey Chiquini, protocolou interpelação criminal contra o reitor da UFPR, Marcos Sfair Sunyé, e a diretora do Setor de Ciências Jurídicas, Melina Girardi Fachin — filha do ministro Edson Fachin, do STF.

A medida foi motivada por uma nota divulgada pela universidade no dia 9, que afirmou que os palestrantes teriam tentado “forçar a entrada” no prédio histórico e “empurrado o vice-diretor do Setor”. Kilter contesta a versão e acusa a instituição de deturpar os fatos:

“A nota da UFPR é ofensiva, genérica e contraditória em relação às próprias comunicações internas da Universidade, que já haviam alertado sobre a falta de segurança e os riscos de conflito. Estão tentando inverter os fatos e culpar as vítimas”, afirmou o vereador.

Segundo os organizadores do evento, os incidentes decorreram da ocupação de manifestantes contrários à realização da palestra, que bloquearam o acesso ao prédio e agiram de forma hostil contra os convidados.

Disputa política e questionamentos

O caso escancara a polarização em torno das universidades públicas e do papel das instituições de ensino superior no debate político. Para críticos, a UFPR teria se precipitado ao emitir uma nota que personaliza responsabilidades sem provas, ampliando a disputa ideológica. Por outro lado, defensores da instituição ressaltam que a universidade tem o dever de reagir quando sua autonomia e segurança interna são desrespeitadas.

O desdobramento do episódio agora seguirá tanto na esfera judicial quanto nas ruas, com manifestações programadas e a expectativa de novos embates políticos e institucionais em torno da liberdade acadêmica e dos limites da ação policial.