Lula pede fim de tarifaço e Trump diz que Brasil e EUA vão “se dar bem juntos” após conversa por videoconferência

Foto: Ricardo Stuckert / Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversaram por videoconferência nesta segunda-feira (6/10), em um diálogo de cerca de 30 minutos descrito pelo Palácio do Planalto como “amistoso” e voltado à retomada das relações entre os dois países.

Durante a conversa, Lula pediu a retirada da tarifa de 40% imposta aos produtos brasileiros — o chamado tarifaço — e o fim das sanções aplicadas contra autoridades brasileiras, como a cassação de vistos e restrições financeiras impostas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, por meio da Lei Global Magnitsky.

Trump não respondeu diretamente ao pedido, mas afirmou que o tema será conduzido pelas equipes técnicas de ambos os governos. O republicano também comentou, em tom descontraído, que os Estados Unidos “sentem falta” de produtos brasileiros afetados pelas medidas, citando o café como exemplo.

Nas redes sociais, o presidente americano afirmou ter tido “uma ótima conversa telefônica” com Lula. “Discutimos muitos assuntos, mas o foco principal foi a economia e o comércio entre nossos dois países. Teremos novas discussões e nos encontraremos em um futuro não muito distante, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Gostei da conversa — nossos países se darão muito bem juntos!”, escreveu Trump na plataforma Truth Social.

Durante o encontro virtual, Lula sugeriu que os dois se reúnam pessoalmente em breve, apresentando três possibilidades: a Cúpula da ASEAN, na Indonésia, no fim de outubro; a COP30, em Belém (PA), em novembro; ou uma visita oficial aos Estados Unidos. A alternativa mais provável, segundo o Planalto, é o encontro durante a ASEAN.

Participaram da videoconferência, do lado brasileiro, o vice-presidente Geraldo Alckmin, os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Fernando Haddad (Fazenda) e Sidônio Palmeira (Comunicação), além do assessor especial Celso Amorim.

Em nota oficial, o Planalto destacou que Lula classificou o diálogo como “uma oportunidade para restaurar as relações amigáveis de 201 anos entre as duas maiores democracias do Ocidente”. O presidente brasileiro também lembrou que o Brasil é um dos três países do G20 com os quais os Estados Unidos mantêm superávit na balança de bens e serviços.

Trump designou o secretário de Estado, Marco Rubio, para dar continuidade às negociações com Alckmin, Vieira e Haddad. As equipes dos dois governos devem definir, nas próximas semanas, a data e o local do primeiro encontro presencial entre Lula e Trump desde o início do novo governo americano.