O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou nas redes sociais que foi escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como o candidato do grupo para disputar a Presidência da República em 2026. Em publicação neste domingo, o parlamentar afirmou assumir a “missão de dar continuidade” ao projeto da direita com “grande responsabilidade”.
“Eu me coloco diante de Deus e diante do Brasil para cumprir essa missão. E sei que Ele irá à frente, abrindo portas, derrubando muralhas e guiando cada passo dessa jornada”, escreveu o senador.
A decisão, no entanto, intensificou tensões já existentes no entorno de Bolsonaro e expôs divergências dentro da direita e do próprio clã familiar. A sinalização de que Flávio será o nome do bolsonarismo não contou com consenso e provocou incômodo entre aliados antigos, integrantes do PL e apoiadores da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
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A escolha ocorre em meio a uma crise no grupo político ligado ao ex-presidente. O estopim do conflito foi a decisão do diretório do PL no Ceará de declarar apoio a uma eventual candidatura de Ciro Gomes (PSDB), gesto que desagradou profundamente Michelle Bolsonaro. No domingo (30), a ex-primeira-dama criticou o partido publicamente, o que desencadeou uma reação imediata dos filhos de Jair Bolsonaro, que se posicionaram contra ela.
A disputa interna, até então velada, tornou-se aberta: Michelle ganhou apoio de parte da base bolsonarista nas redes, enquanto os filhos do ex-presidente se alinharam para defender a condução política do pai. Nesse cenário, o anúncio de Flávio como pré-candidato ampliou o desconforto entre grupos que preferiam Michelle como possível sucessora ou que defendiam maior debate interno antes da definição.
Decisão tomada durante visitas à PF
Preso desde 22 de novembro na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, Jair Bolsonaro tem recebido visitas regulares dos filhos Flávio, Carlos e Jair Renan, além de Michelle, da filha Laura, advogados e médicos autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Segundo relatos, em uma dessas visitas o ex-presidente teria indicado a Flávio que deseja vê-lo como candidato ao Planalto em 2026, em uma disputa direta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deve buscar a reeleição.
A decisão teria desagradado setores do PL que esperavam a escolha de outro nome, como o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), além de aliados que enxergam Flávio como menos competitivo eleitoralmente do que a ex-primeira-dama.
A pré-candidatura de Flávio surge marcada por divisões. Dirigentes regionais do PL, aliados influentes e figuras próximas ao ex-presidente avaliam que o anúncio antecipado pode aprofundar as fraturas internas num momento em que o bolsonarismo busca reorganização após a prisão de Jair Bolsonaro e as condenações relacionadas aos atos golpistas de 8 de Janeiro.
Apesar das resistências, Flávio tenta se consolidar como o herdeiro político do pai e já iniciou conversas para unificar o campo conservador em torno de seu nome. A disputa interna, no entanto, promete se intensificar à medida que 2026 se aproxima e novos atores da direita, como Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas e Ratinho Junior seguem no radar de parte do eleitorado.
