O Conselho Federal de Medicina (CFM) informou nesta quarta-feira (7) que determinou ao Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) a abertura de uma sindicância para apurar a condução do atendimento médico ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), após ele ter caído e batido a cabeça na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde cumpre pena em decorrência da condenação pela trama golpista.
Em nota oficial, o CFM afirmou que recebeu denúncias formais que apontam preocupação com a garantia de assistência médica adequada ao ex-presidente. “O recebimento formal de denúncias protocoladas no CFM expressa inquietação quanto à garantia de assistência médica adequada ao paciente”, informou o conselho.
A entidade também destacou que manifestações públicas sobre intercorrências clínicas envolvendo Bolsonaro geram apreensão. “Declarações públicas de relatos sobre intercorrências clínicas causam extrema preocupação à sociedade brasileira”, acrescenta o texto.
Bolsonaro havia passado por um período de internação no fim do ano passado. Na manhã de terça-feira (7), ele caiu dentro da cela onde está detido na Superintendência da Polícia Federal e bateu a cabeça. Inicialmente, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes negou o pedido da defesa para que o ex-presidente fosse encaminhado a um hospital.
No entanto, nesta quarta-feira, após a apresentação de novos relatórios médicos, Moraes autorizou que Bolsonaro fosse levado a uma unidade hospitalar para a realização de exames. A sindicância determinada pelo CFM deverá apurar se os protocolos médicos adotados no caso foram adequados.

O Conselho Federal de Medicina (CFM), no estrito
cumprimento de suas atribuições legais, manifesta-se sobre a
condição de saúde do ex-Presidente da República, Jair
Messias Bolsonaro.
O recebimento formal de denúncias protocoladas no CFM
expressam inquietação quanto à garantia de assistência
médica adequada ao paciente. Além disso, declarações
públicas de relatos sobre intercorrências clínicas causam
extrema preocupação à sociedade brasileira.
Os relatos de crises agudas de características diversas,
episódio de trauma decorrente de queda, o histórico clínico
de alta complexidade, sucessivas intervenções cirúrgicas
abdominais, soluços intratáveis, e outras comorbidades em
paciente idoso, demandam um protocolo de monitoramento
contínuo e imediato, em que deve ser assegurada assistência
médica com múltiplas especialidades pelo estado brasileiro,
inclusive em situações de urgência e emergência.
O CFM reafirma que a autonomia do médico assistente deve
ser soberana na determinação da conduta terapêutica, não
podendo sofrer influência de qualquer natureza, por possuir
presunção de verdade.
Em obediência ao disciplinado em lei e ao Código de Processo
Ético-Profissional, o CFM determinou ao Conselho Regional
de Medicina do Distrito Federal, a imediata instauração de
sindicância para apuração dos fatos.
Brasília, 7 de janeiro de 2026.
