Influenciadores digitais identificados com a direita, alguns com milhões de seguidores nas redes sociais, afirmam ter sido procurados por uma empresa que oferecia remuneração para a produção de conteúdos favoráveis ao Banco Master e críticos ao Banco Central (BC). Segundo os relatos, a ação teria como objetivo pressionar autoridades e tentar reverter a liquidação extrajudicial da instituição financeira determinada pelo BC.
Um dos depoimentos é do vereador Rony Gabriel (PL), que reúne cerca de 1,5 milhão de seguidores. Ele afirma que chegou a assinar um acordo de confidencialidade, mas desistiu da proposta após concluir que a estratégia buscava proteger o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e preservar sua articulação política. Outros influenciadores relataram abordagens semelhantes.
Um levantamento de publicações nas redes sociais aponta um crescimento atípico de postagens entre os dias 26 de dezembro e 5 de janeiro, com ataques direcionados ao Banco Central e à Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o que reforça a suspeita de uma ofensiva digital coordenada.
O episódio ocorre enquanto a decisão do BC enfrenta questionamentos de órgãos de controle. O Tribunal de Contas da União (TCU) rejeitou justificativas apresentadas pela autoridade monetária e determinou a realização de uma inspeção urgente para analisar documentos internos e a sequência dos atos que levaram à liquidação do Banco Master. O tribunal também não descartou a adoção de medidas cautelares para resguardar ativos, caso sejam identificadas irregularidades.
No Supremo Tribunal Federal (STF), o caso também provocou desgaste institucional. O ministro Dias Toffoli recuou de uma decisão que previa acareação entre o diretor de fiscalização do Banco Central e o controlador do banco liquidado, ampliando o debate sobre os limites da autonomia da autoridade monetária. Apesar da tensão, o impacto tende a ser mais político do que jurídico, com risco à imagem institucional, mas sem expectativa de sanções extremas. O Banco Central sustenta que a liquidação foi baseada em critérios técnicos e afirma colaborar com as apurações.
Além disso, uma denúncia criminal apresentada ao STF contra jornalistas ligados à série Vaza Toga também levantou controvérsia. A peça foi embasada em um dossiê, sem autoria identificada ou metodologia transparente, anexado a uma petição protocolada em outubro de 2025. O material reúne prints e dados dispersos para tentar caracterizar supostos “ataques coordenados”, sem apresentar provas de incitação à violência ou organização criminosa.
A iniciativa partiu da jornalista Letícia Sallorenzo, que solicitou a inclusão de repórteres e de um ex-assessor em inquéritos como o das chamadas “milícias digitais”, após reportagens que revelaram práticas internas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ações de monitoramento de críticos. O dossiê estava armazenado em uma pasta pública do Google vinculada ao Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio), criada por um pesquisador, mas teve o acesso restringido após a repercussão do caso.
