A Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar denúncias de que influenciadores digitais teriam sido procurados para produzir conteúdos em defesa do Banco Master e com críticas ao Banco Central, que decretou a liquidação da instituição financeira no fim do ano passado. A abertura da investigação foi confirmada pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Os relatos vieram à tona após os influenciadores Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite afirmarem que receberam propostas para divulgar, nas redes sociais, a versão de que o Banco Central teria agido de forma precipitada ao intervir no banco controlado por Daniel Vorcaro. Segundo eles, a estratégia consistia na publicação de vídeos e postagens que questionassem a decisão do órgão regulador e amplificassem críticas à atuação do BC.
A movimentação nas redes também chamou a atenção do setor bancário. Em nota, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que identificou, no fim de dezembro, um volume considerado fora do padrão de postagens mencionando a entidade e seus representantes, em meio às notícias sobre a liquidação de uma instituição financeira. A federação avalia se houve ou não um ataque coordenado e afirmou que, nos últimos dias, esse volume diminuiu de forma significativa.
Além da apuração sobre a possível articulação digital, a Polícia Federal segue investigando suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master. Novos depoimentos devem ser colhidos ainda neste mês de janeiro. Investigadores avaliam já haver elementos concretos que indicariam a prática de crimes financeiros pela instituição liquidada.
As próximas oitivas devem incluir diretores do Banco Master e do BRB e ocorrer após a acareação realizada no Supremo Tribunal Federal entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. A decisão de promover a acareação, tomada pelo ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF, foi alvo de críticas de juristas, que apontaram que a investigação ainda não estava concluída e que depoimentos relevantes ainda não haviam sido prestados.
A PF também analisa documentos, celulares e computadores apreendidos durante a operação “Compliance Zero”, deflagrada em 18 de novembro do ano passado. Na ocasião, Vorcaro e outros dirigentes do Banco Master chegaram a ser presos, mas acabaram liberados mediante medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica. O material apreendido segue sob análise para subsidiar o avanço das investigações.
