A Polícia Federal divulgou nesta sexta-feira (6) o laudo da perícia médica realizada no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso no Complexo Penitenciário da Papudinha, em Brasília. De acordo com o documento, o estado de saúde do ex-presidente exige acompanhamento e cuidados, mas não há indicação, neste momento, de transferência para prisão domiciliar ou internação hospitalar.
A perícia foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da defesa de Bolsonaro, que solicita a concessão de prisão domiciliar por razões humanitárias. A avaliação foi feita por uma junta médica oficial composta por profissionais da Polícia Federal.
Segundo o laudo, Bolsonaro apresenta sinais e sintomas neurológicos que aumentam o risco potencial de novos episódios de queda, o que demanda investigação diagnóstica complementar. Como medidas paliativas e provisórias, até avaliação especializada, os peritos recomendaram a instalação de grades de apoio em corredores e boxes de banho do alojamento, a implantação de campainhas de pânico ou outros dispositivos de monitoramento em tempo real, além de acompanhamento contínuo nas áreas comuns da unidade prisional.
O documento também recomenda avaliação nutricional e prescrição de dieta específica, direcionada às comorbidades do ex-presidente, bem como a prática regular de atividade física aeróbica e resistida, conforme tolerância clínica. Outro ponto indicado é a realização de tratamento fisioterápico contínuo, com foco no fortalecimento muscular e no equilíbrio postural.
O laudo médico tem 52 páginas e atesta que Bolsonaro possui sete comorbidades, entre elas hipertensão arterial, síndrome da apneia do sono, obesidade clínica e refluxo gástrico. Apesar disso, a Polícia Federal concluiu que a estrutura da Papudinha é capaz de suprir as demandas de saúde apresentadas pelo ex-presidente.
Os peritos destacaram que, embora haja controle clínico e protocolos de pronta resposta disponíveis, é necessária a otimização dos tratamentos e das medidas preventivas por profissionais especializados, principalmente em razão do risco de complicações, com destaque para eventos cardiovasculares. Também foi sugerido acompanhamento multiprofissional regular dentro da unidade prisional.
A perícia aponta ainda hipóteses para as alterações neurológicas identificadas, como alimentação com baixo aporte de vitaminas e possíveis interações medicamentosas, mas recomenda investigação complementar para identificar com precisão as causas do quadro.
No laudo, Bolsonaro relatou que considera as condições da Papudinha melhores do que as da Superintendência da Polícia Federal, onde esteve custodiado anteriormente. Segundo o documento, ele mencionou maior espaço para circulação, afirmou não se incomodar com ruídos, apesar de a unidade estar em obras, e avaliou como satisfatórias as condições de limpeza do local.
Antes da transferência para a Papudinha, a defesa havia solicitado ao ministro Alexandre de Moraes providências quanto ao barulho contínuo do ar-condicionado da cela onde Bolsonaro estava detido, alegando prejuízo ao sono.
Após a divulgação do laudo, Moraes determinou que a defesa do ex-presidente e a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestem no prazo de cinco dias. As partes também poderão solicitar complementações à perícia. O documento servirá de base para a decisão do ministro sobre o pedido de prisão domiciliar.
De acordo com a avaliação da Polícia Federal, o resultado da perícia reduz, no curto prazo, as chances de Bolsonaro obter autorização para cumprir a pena em regime domiciliar.
