O andamento dos trabalhos da CPI do Crime Organizado no Senado tem impedido o avanço de requerimentos ligados ao caso Master, que envolvem familiares dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
No colegiado, o senador Alessandro Vieira (SE) apresentou uma série de pedidos de convocação e de quebra de sigilo. Entre os alvos estão os irmãos de Dias Toffoli, ex-proprietários do resort Tayayá, e Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
De acordo com as informações levadas à comissão, os irmãos de Toffoli receberam recursos de Fabiano Zettel — alvo da Polícia Federal nas investigações sobre o Master — em uma negociação envolvendo o resort, frequentado pelo ministro. Já a esposa de Moraes firmou um contrato de R$ 129 milhões com o Master.
Apesar da relevância dos pedidos, nenhum dos requerimentos foi apreciado nesta semana. O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), optou por não convocar sessão, mesmo com a autorização da Presidência do Senado para que as reuniões antes do Carnaval ocorressem de forma semipresencial.
A decisão do parlamentar petista impediu a análise não apenas dos requerimentos relacionados ao caso Master, mas também de outros temas pendentes na comissão. Procurado nesta terça-feira (10), Contarato não se manifestou.
Segundo senadores que acompanham os trabalhos da CPI, a ausência de sessões nas últimas duas semanas tem gerado desconforto e alimentado a percepção de que há uma tentativa de esfriar o debate sobre o caso. Nos bastidores, parlamentares falam em uma “operação abafa” para evitar que os requerimentos avancem.
Na semana anterior, também não houve reunião, embora estivesse prevista a presença dos governadores do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.
A leitura entre integrantes da comissão é de que a condução dos trabalhos pelo presidente da CPI tem criado obstáculos para a deliberação de pautas consideradas sensíveis. Como a presidência está sob comando do PT e a comissão conta com a participação de líderes do governo no Senado, como Randolfe Rodrigues (PT-AP), e do PT na Casa, Rogério Carvalho (PT-SE), cresce a avaliação de que haverá resistência para colocar os requerimentos em votação.
Mesmo que venham a ser pautados, o resultado é incerto. Embora, em tese, haja maioria para aprovar os pedidos, parte dos integrantes pertence ao centrão, o que pode alterar o equilíbrio de forças, seja com a rejeição dos requerimentos, seja com eventuais trocas de vagas para formar maioria contrária.
A paralisação das sessões, contudo, já produz um efeito concreto: impede o avanço das investigações no âmbito da CPI e adia o esclarecimento de fatos que envolvem personagens centrais do sistema político e institucional do país.
