A sessão solene da Câmara dos Deputados que marcou os 46 anos do Partido dos Trabalhadores ganhou um momento, digamos, carnavalesco. Em meio aos discursos e cumprimentos protocolares, a ministra Gleisi Hoffmann resolveu dar um tempero extra à celebração: entoou um trecho do samba-enredo da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Sim, leitor, não foi na Sapucaí — foi no plenário.
Empolgada, Gleisi incentivou os presentes a aproveitarem o Carnaval e elogiou a canção, destacando que o enredo retrata a trajetória de Lula e celebra sua história política. A cena misturou palanque, bateria imaginária e clima de arquibancada, numa versão brasiliense do “esquenta” de avenida.
Se a intenção era animar a militância, conseguiu. Mas fora do salão verde, o refrão ecoou em tom bem diferente. Parlamentares da oposição aproveitaram o embalo para questionar o repasse de recursos da Embratur à escola de samba, levantando críticas sobre o uso de verba pública em ações relacionadas à homenagem. O samba virou debate orçamentário — e o ritmo mudou de compasso.
Enquanto isso, longe dos holofotes de Brasília, o aniversário do PT em Curitiba foi celebrado de maneira mais pé no chão, ou melhor, pé no azulejo do boteco. Filiados e lideranças petistas se reuniram em um tradicional bar do bairro Água Verde, conhecido por receber um público majoritariamente alinhado à esquerda. Climinha de confraternização, conversa política e brindes discretos.
Lideranças do PT no Paraná marcaram presença. A ausência mais comentada foi a do deputado estadual Requião Filho. Mesmo fora do partido, ele é apontado nos bastidores como principal nome da esquerda para a disputa pelo governo do Paraná, o que mostra que, em ano pré-eleitoral, cada ausência também fala.
No fim das contas, os 46 anos do PT foram comemorados em dois ritmos: em Brasília, com samba-enredo e discurso afinado com a história de Lula; em Curitiba, com mesa de bar e articulações regionais. Se vai dar nota 10 em harmonia ou perder ponto em evolução, isso o eleitor decide na apuração.
