A Acadêmicos de Niterói terminou na 12ª colocação no Carnaval do Rio de Janeiro e foi rebaixada nesta quarta-feira (18.fev.2026). Escola estreante no Grupo Especial, a agremiação voltará a disputar a Série Ouro em 2027. A campeã do Carnaval 2026 foi a Unidos do Viradouro.
A Acadêmicos de Niterói levou à Marquês de Sapucaí o samba-enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Antes do início da apuração, a escola foi punida por problemas na dispersão do desfile e multada em R$ 80 mil, mas não perdeu pontos, segundo a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa). A Portela também foi penalizada pelo mesmo motivo.
Entre os destaques do desfile, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi retratado como palhaço. Em um dos carros alegóricos, apareceu caracterizado como “Bozo”, enquanto em outro a referência foi a um palhaço com uniforme de presidiário e tornozeleira danificada. O desfile também fez alusão ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), com representação da posse e, em seguida, da assunção do ex-presidente Michel Temer (MDB).
A primeira-dama Janja não desfilou. Ela seria destaque do último carro alegórico, mas desistiu de participar para evitar que sua presença fosse interpretada como campanha eleitoral antecipada. De acordo com informações divulgadas pela jornalista Monique Arruda, Janja permaneceu em um contêiner na área de concentração e depois assistiu ao desfile no camarote ao lado do presidente.
Durante a apresentação, Lula deixou o camarote e foi à pista cumprimentar o mestre-sala e a porta-bandeira da escola, acompanhado do prefeito do Rio.
Uma das alas apresentou o tema “neoconservadores em conserva”, com fantasias representando integrantes do agronegócio, uma mulher de classe alta, defensores da ditadura militar e evangélicos. A ala gerou críticas, incluindo manifestação da senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
Integrantes da escola também fizeram o gesto conhecido como “L de Lula” durante o desfile. Segundo o jornalista Ancelmo Gois, a escola teria orientado que o gesto fosse evitado na avenida, informação negada pela própria agremiação. Nos ensaios técnicos, as peles dos instrumentos da bateria exibiam o símbolo.
