OAB-RJ aponta preconceito religioso em desfile da Acadêmicos de Niterói e oposição anuncia ações contra Lula

A Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Rio de Janeiro (OAB-RJ) afirmou, na terça-feira (17), que o desfile da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí configurou preconceito religioso contra cristãos. A manifestação ocorreu após a apresentação da ala “neoconservadores em conserva”, que integrou o enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em nota, a entidade declarou que a liberdade religiosa é direito fundamental e pilar do Estado Democrático de Direito, e que qualquer conduta que implique intolerância ou discriminação religiosa afronta a ordem constitucional e compromissos internacionais assumidos pelo país. A OAB-RJ reafirmou compromisso com a defesa da liberdade religiosa e com o combate à intolerância.

No domingo (15), a escola levou à avenida o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. O samba mencionou o ex-presidente Michel Temer (MDB) e retratou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como “Bozo”, em referência ao personagem de televisão. A apresentação incluiu ainda alas com menções à taxação de bilionários, bancos e casas de apostas, além da defesa do fim da escala de trabalho 6×1.

A ala “neoconservadores em conserva” apresentou fantasias que retratavam famílias dentro de latas de conserva, além de figuras associadas a evangélicos, agronegócio, militares e mulheres brancas.

A repercussão provocou reação de parlamentares da oposição, que passaram a divulgar ilustrações semelhantes nas redes sociais. Integrantes do PL e aliados de Jair Bolsonaro classificaram o desfile como campanha antecipada e questionaram o uso de recursos públicos destinados às escolas do Grupo Especial.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que pretende acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o que considera irregularidades. Opositores anunciaram ao menos 12 ações contra Lula no TSE, no Ministério Público e em outros órgãos de controle, com base em três principais alegações: propaganda eleitoral antecipada, abuso de poder político e econômico e discriminação religiosa.

O partido Novo informou que pretende pedir a inelegibilidade de Lula caso haja registro de candidatura, sob o argumento de que recursos públicos teriam sido utilizados para favorecer sua imagem em contexto pré-eleitoral.

Aliados do governo afirmaram que o Carnaval tradicionalmente aborda temas políticos e sustentaram que não houve pedido explícito de votos durante o desfile.

O presidente Lula chegou à Sapucaí por volta das 20h25 de domingo e permaneceu no camarote da Prefeitura do Rio por mais de oito horas. Ele deixou o local às 4h53 da madrugada de segunda-feira, acenando a apoiadores.