Foto: Gustavo Moreno/STF
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (4) a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A decisão atende a pedido da Polícia Federal no âmbito da “Operação Compliance Zero”, que investiga crimes contra o sistema financeiro nacional, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, violação de sigilo e organização criminosa.
Na decisão, o ministro justificou a medida com base no “perigo iminente” à segurança de pessoas e de bens jurídicos de elevada relevância. Segundo o despacho, há “concreta possibilidade de se prevenir possíveis condutas ilícitas contra a integridade física e moral de cidadãos comuns, de jornalista e até mesmo de autoridades públicas”.
Ameaças a jornalista e funcionária
Mensagens interceptadas pela PF indicam que Vorcaro teria ordenado agressões físicas contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, e contra uma funcionária identificada como Monique.
Em diálogo atribuído ao banqueiro, ele afirma que quer “mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, em referência ao jornalista. A investigação aponta que a intenção seria simular um roubo para encobrir a agressão. Em outra mensagem, sobre a funcionária, escreveu: “Tem que moer essa vagabunda”, solicitando em seguida que fosse levantado o endereço dela.
De acordo com a representação da PF, as ordens teriam sido encaminhadas a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado como coordenador de um grupo responsável por ações de vigilância e intimidação.
Grupo de monitoramento
A decisão descreve a existência de um núcleo informal chamado “A Turma”, coordenado por Mourão e com a participação do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. Segundo a investigação, o grupo acessava sistemas restritos de órgãos públicos e bases de dados policiais para levantar informações sobre autoridades, jornalistas, concorrentes e ex-funcionários.
A PF afirma que os integrantes utilizavam credenciais de terceiros para acessar indevidamente sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da Interpol, com o objetivo de obter dados sigilosos.
Esquema financeiro e rombo bilionário
Segundo a Polícia Federal, Vorcaro estruturou a captação de recursos no mercado financeiro por meio da emissão de títulos bancários com rentabilidade acima da média. Os valores arrecadados seriam direcionados a investimentos de risco e fundos ligados ao próprio conglomerado econômico do banco.
A decisão menciona que operações do grupo teriam gerado um déficit que chega a R$ 40 bilhões, coberto com recursos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A investigação também aponta a ocultação de mais de R$ 2,2 bilhões em contas vinculadas ao pai do banqueiro, mesmo após ele ter sido solto em fase anterior da apuração, no final do ano passado.
Suspeita de pagamento a servidores do Banco Central
A investigação indica ainda que servidores do Banco Central do Brasil teriam recebido pagamentos por meio de contratos simulados de prestação de serviços com empresas de consultoria. Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, ocupantes de cargos de chefia na área de supervisão bancária, foram afastados de suas funções por determinação do STF.
Segundo a PF, eles revisavam ofícios do Banco Master antes do envio oficial ao órgão regulador e repassavam informações internas em troca de pagamentos mensais. O ministro também determinou a proibição de acesso às dependências do Banco Central e o uso de monitoramento eletrônico.
Outras prisões e suspensão de empresas
Além de Vorcaro, o ministro André Mendonça determinou a prisão preventiva de:
-
Fabiano Campos Zettel, apontado como responsável pela intermediação e operacionalização de repasses financeiros;
-
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, coordenador operacional do grupo “A Turma”;
-
Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado, indicado como integrante da estrutura de monitoramento.
O STF também determinou a suspensão das atividades de cinco empresas — Varajo Consultoria, Moriah Asset, Super Empreendimentos, King Participações Imobiliárias e King Motors — que, segundo a PF, eram utilizadas para justificar recebimentos, movimentar recursos investigados e custear despesas das atividades ilícitas.
As investigações seguem sob condução da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero.
