PF abre inquérito após morte de “Sicário” de Vorcaro em cela da corporação em Belo Horizonte

A Polícia Federal abriu inquérito nesta quinta-feira (5) para apurar as circunstâncias envolvendo a custódia de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, que morreu após atentar contra a própria vida enquanto estava preso na carceragem da Superintendência Regional da corporação em Minas Gerais.

A determinação para a abertura da investigação foi do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Segundo ele, toda a ação envolvendo Mourão e o atendimento prestado pelos policiais está registrada por câmeras, sem pontos cegos.

De acordo com a PF, as imagens mostram o momento do ocorrido, a chegada dos agentes para prestar os primeiros socorros e o atendimento de socorristas do Samu, que utilizaram adrenalina e desfibrilador na tentativa de reanimar o preso. Após os procedimentos, Mourão foi levado a um hospital em Belo Horizonte, mas não resistiu.

Segundo nota divulgada pela Polícia Federal, Mourão “atentou contra a própria vida enquanto se encontrava sob custódia da instituição”. O caso também foi comunicado ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das investigações relacionadas ao Banco Master. A corporação informou que entregará todos os registros em vídeo que demonstram a dinâmica do ocorrido.

Mourão havia sido preso na quarta-feira (4) durante a Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. Também foi preso na mesma operação o banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como chefe de uma organização criminosa estruturada em diferentes núcleos.

Apontado pela Polícia Federal como responsável por monitorar e planejar ataques contra adversários de Vorcaro, Mourão teria papel central no grupo investigado. Segundo os investigadores, ele comandava uma estrutura informal chamada “A Turma”, utilizada para realizar atividades de vigilância, obtenção de informações e monitoramento de pessoas ligadas às investigações ou críticas ao grupo.

Ainda de acordo com a apuração, Mourão receberia cerca de R$ 1 milhão por mês para prestar os serviços considerados ilícitos pelos investigadores. A Polícia Federal afirma que ele realizava consultas em sistemas restritos de órgãos públicos, utilizando credenciais de terceiros para acessar bases de dados ligadas a instituições de segurança e investigação, incluindo sistemas da própria PF, do Ministério Público Federal e até bases internacionais.

Na decisão que autorizou as prisões, o ministro André Mendonça apontou indícios de que Vorcaro teria determinado, em troca de mensagens com Mourão, a simulação de um assalto ou situação semelhante para “prejudicar violentamente” o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Segundo a decisão, o objetivo seria intimidar a imprensa e silenciar opiniões contrárias aos interesses do grupo.

A defesa de Mourão informou que esteve com ele pessoalmente até por volta das 14h de quarta-feira e afirmou que, naquele momento, ele se encontrava em plena integridade física e mental. Os advogados disseram ainda que tomaram conhecimento do incidente após a nota divulgada pela Polícia Federal e que aguardavam informações oficiais do hospital sobre o estado de saúde do cliente.

Desde 2021, Mourão também respondia a uma ação movida pelo Ministério Público de Minas Gerais por suspeitas de lavagem de dinheiro, organização criminosa e crime contra a economia popular. Segundo as investigações, ele e outros envolvidos teriam montado um esquema de pirâmide financeira para atrair investidores em todo o país. Entre junho de 2018 e julho de 2021, teriam sido movimentados cerca de R$ 28 milhões em contas bancárias de empresas ligadas ao investigado.

Com a abertura do inquérito pela Polícia Federal, um relatório será elaborado pela equipe responsável para esclarecer as circunstâncias da morte.