Documentos obtidos por meio de quebra de sigilo bancário revelam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou transferências que somam R$ 721,2 mil para o filho, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, entre 2022 e 2023. As informações foram divulgadas pelo portal Metrópoles.
De acordo com os registros bancários, a primeira operação ocorreu em 22 de julho de 2022. Na data, Lula transferiu R$ 384 mil ao filho por meio de uma conta mantida em uma agência do Banco do Brasil em São Bernardo do Campo (SP). No momento em que o valor foi creditado, o saldo da conta de Lulinha era de R$ 12.031,92.
Ainda no mesmo dia, foi registrada outra transferência no valor de R$ 384 mil, também realizada por Lula a partir da mesma agência do Banco do Brasil em São Bernardo do Campo. Na mesma data, o petista Paulo Okamotto, então presidente da Fundação Perseu Abramo — centro de estudos ligado ao Partido dos Trabalhadores — transferiu R$ 152.488,39 para Lulinha. O depósito aparece acompanhado da anotação “Depósito cheque BB liquidado”. Okamotto também atua como diretor do Instituto Lula.
As movimentações fazem parte da quebra de sigilo de uma das contas bancárias de Lulinha. Segundo os dados revelados, o empresário movimentou aproximadamente R$ 19,3 milhões nessa conta ao longo de quatro anos, entre 2022 e 2025.
Os documentos também mostram repasses feitos por Lulinha a empresários ligados a investigações recentes. Entre janeiro de 2024 e outubro de 2025, ele transferiu R$ 750 mil ao empresário Kalil Bittar. Os pagamentos ocorreram mensalmente, em valores de R$ 50 mil. O último repasse foi realizado em 27 de outubro de 2025.
No mês seguinte, Bittar foi alvo da Polícia Federal na operação Operação Coffee Break, que investigou suspeitas de desvio de recursos no Ministério da Educação. Segundo a investigação, Bittar teria atuado fazendo lobby junto à pasta para viabilizar a liberação de recursos a prefeituras do interior de São Paulo, como Sumaré, Limeira e Hortolândia.
Esses municípios teriam contratado a empresa Life Tecnologia para fornecer livros didáticos e kits de robótica com valores considerados superfaturados. De acordo com as investigações, os contratos poderiam chegar a até 35 vezes acima do preço de mercado.
Outro beneficiário de transferências foi o empresário Jonas Leite Suassuna Filho, conhecido como Jonas Suassuna. Lulinha repassou cerca de R$ 700 mil ao empresário em pagamentos mensais que, na maioria dos casos, eram de R$ 10 mil, mas chegaram a R$ 50 mil em junho e julho de 2024.
Suassuna foi sócio de Lulinha na empresa BR4 Participações e ficou conhecido por ser um dos proprietários formais do sítio de Atibaia, que esteve no centro de investigações judiciais envolvendo o presidente. Na época em que o caso veio à tona, em 2016, ele também pagava o aluguel do apartamento onde Lulinha morava.
A conta bancária analisada pelas autoridades pertence à pessoa física de Lulinha e está vinculada a uma agência do segmento Estilo do Banco do Brasil, em São Paulo. As movimentações financeiras fazem parte de investigações que buscam mapear relações comerciais e eventuais conexões com contratos públicos investigados por órgãos de controle.
