FOGO NO PARQUINHO – Coluna semanal de Ogier Buchi – 06/03/2026

Absolutamente evidente que quando me refiro à “parquinho”, trato do Parque das Perdidas Ilusões, que é o imenso espaço político-geográfico ocupado pelos Três Poderes em Brasília. Com efeito, as últimas notícias são aterradoras, e escancaram o conciábulo marginal vulgarmente denominado quadrilha, instalado em Brasília em todos os setores da vida pública.

Confesso que o que mais me estarrece é o procedimento do PGE e dos funcionários do Banco Central da República. Evidentemente, os funcionários da quadrilha Vorcaro.

O Al Capone moderno do sistema financeiro encarna o que há de pior na vida hodierna neste país que, com certeza, é bem aquinhoado sob o ponto de vista das potencialidades naturais – mas que, desgraçadamente, tem a construção que a Antropologia tão bem e minudentemente descreve.

A miserabilidade moral de nossa nacionalidade, por certo se escancara e encontra representação nas figuras ridículas do Presidente ex-presidiário e de sua companheira.

Quando meu estarrecimento chega aos píncaros, “Paulinho Gonet”, o sócio oculto de Gilmagro Mendes, conduz o Ministério Público brasileiro à vergonha de atuar sem nenhum pejo em favor dos interesses do PT e por óbvio do Supremo Tribunal Federal, associado ao Governo atual.

No caso desse senhor, o que realmente me incomoda é que ele chegou ao Ministério Público mercê justo concurso, onde laureou-se em primeiro lugar, ou seja, tecnicamente é privilegiado. Portanto, as decisões espúrias, parciais e deploráveis que tem exarado decorrem, obviamente, de fratura moral.

Quando o chamado “Quarto Poder” convive com uma fratura dessa envergadura, há que imaginar como decorrente uma inexorável falência social.  Mas o tecido cancerígeno prospera em Brasília em progressão geométrica, porque apodreceu também o até então insuspeito Banco Central.

Ora, com tal constatação, sou obrigado a imaginar que aquele mote tão reiterado ao longo do tempo, “o futuro do Brasil é para já”, foi jogado no não menos famoso “cesto arquivo”.

Sabe, leitor, em outubro ocorrerá nova eleição, e eu sempre deplorei a possibilidade do sujeito se ausentar da eleição, seja votando em branco, seja anulando o seu voto. Mas, com esta quadrilha Vorcaro tomando conta de Brasília, confesso que aquele espírito de esperança que sempre carreguei vira uma evidente decepção e uma frustrante incapacidade de acreditar no futuro.

O papel absolutamente deplorável que a Suprema Corte desempenha nesta quadra nacional, e que tem o apoio do Ministério Público, me causa engulhos e lhes confesso: assistir ao sujeito chamado Flávio Dino falar – e pior, decidir na forma que decide, protegendo o tecido do mafioso Vorcaro em detrimento do interesse da sociedade brasileira, representa uma desconstrução total de esperança.

O meu país vive nesta etapa não uma situação desconfortável e eventualmente superável pelo desenvolvimento do que se chama maturidade de um povo, mas certamente uma crise que não consigo imaginar superável por uma eleição ou simples troca pontual de um governo – ou até mesmo de uma ideologia.

Quando o tecido putrefato está nos profissionais habilitados em concurso e dentro da instituição até então mais confiável do país – a saber, Banco Central – significa que a simples extração de tecidos putrefatos não terá o condão de recuperar todo um contexto.

Imagino, portanto, que além da cirurgia imediata que é mandar Lulle e todo seu cancerígeno grupo para as calendas, sobra a necessidade de uma profunda quimioterapia no tecido que vier a restar. Não sei, honestamente, se as propostas colocadas até agora possam significar esta ruptura tão fundamental e necessária que permita recuperar o Brasil para os nossos filhos e netos.

Quero crer que a solução talvez esteja em um Senado comprometido com a tramitação dos pedidos de impeachment destes que enlamearam a história e as até então respeitáveis togas do Supremo Tribunal Federal. De nada adianta eleger alguém que divirja deste nefasto Lulle e seus Lulletes, e que não seja capaz de mandar para fora do Supremo aqueles que dele devem ser expulsos, sem prejuízo de outras penalidades legais, obviamente.

Não nos basta um presidente diferente do ex-presidiário que aí está. Enquanto ele for refém de gente como Lindembergh, ou o Senador Pula Pula, na medida em que estes espúrios sempre estarão à disposição do serviço de estafeta do mal, levando as decisões que visam o bem público para as decisões do mal que fazem hoje o dia a dia da jurisprudência da outrora chamada Suprema Corte.

Não pense, leitor, que me basta humildemente buscar chamar sua atenção para a importância de varrer o Senado da República do “bundamolismo” corrupto que hoje impera na vetusta casa. Minha intenção é mais profunda, minha intenção é chamar a atenção, respeitosamente, da nossa gama de eleitores para que desta feita use lupa antes de votar em Senador. Pense amorosamente no futuro do Brasil e da sua família, e tenha certeza que a omissão certamente não é o caminho para a urna em 2026!
Não sei quem serão os candidatos aqui do Paraná, mas tenho uma opinião fortemente amparada pelo quadro que se nos é oferecido, até este dia 05 de março de 2026: não vejo nos nomes até então citados, nenhum que tenha as características fundamentais para o processo de enfrentamento e coragem tão necessários ao exercício do mandato senatorial no período 26-34. Por favor, pense nisso, leitor!

QUADRO REGIONAL

ELOCUBRANDO:

Por força do horário de impressão, escrevo antes da publicação das pesquisas tão esperadas Datafolha e Paraná. Mas é possível traçar um quadro que seja baseado na racionalidade do conjunto de todas as pesquisas efetuadas até então.

Dentro desta linha condutora de pensamento, existem três nomes que podem ser considerados como plausíveis em outubro de 26. Dois, decorrentes dos conhecidos polos de direita e esquerda, e um que pode representar a centro-direita. Creio absolutamente desnecessário me aprofundar em relação a Lulle e a Flávio, posto que ambos encarnam, sobretudo, não uma proposta de governo, mas sim uma manifestação de apoio ideológico.

Escrito isso, me parece evidente que a chance para o candidato Ratinho Jr., que não detém o apoio da ideologia aprofundada, mas que tem a seu favor uma excelente administração estadual, e uma enorme parcela da população brasileira que está, quando no mínimo, irritada com a tão refutada diáspora ideológica, chance cresce exponencialmente. Todavia, aqui há um reparo a fazer; porquanto Lulle faz campanha desde 2023 – não governa, é bem verdade, mas está sempre em campanha – e Flávio Bolsonaro lançou-se com irrefreável furor à busca de apoio eleitoral. Portanto, quem sabe faz a hora, como tão bem cantado por Vandré, e o esperar acontecer pode até ter algum nível de bom senso, mas a espera não pode ser angustiante, e muito menos confundida com falta de efetiva postura.

Não se trata aqui, por óbvio de ter a pretensão de dar opinião para os “lua preta” oficiais, mas opino pelo simples fato de ter amor pelo meu estado e defender, há mais de trinta anos, que gostaria de ver um Presidente da República paranaense.

O quadro todo, como escrevi, favorece o jovem Massa, e é preciso que ele de forma definitiva deixe claro o que, como e quando pretende. Tenho certeza de que quando ele assim o fizer e a raposona Kassab apaniguar, ele será recompensado nas intenções de voto.

E AS CANDIDATURAS?

Recebi nesta quarta-feira (04), o ilustre Deputado Mauro Moraes, que é companheiro político de primeira ordem de Sérgio Moro. É perceptível o otimismo do deputado, que reflete naturalmente o otimismo de todos os apoiadores de Sérgio Moro, porquanto entra pesquisa, renova-se pesquisa, e o Senador continua com números que garantem sua vitória em sede de primeiro turno.

Há quem sustente que Moro poderia não ser um bom chefe do Executivo, porque seu mister precípuo – e, aliás, onde se tornou respeitado internacionalmente – seria o Judiciário. Discordo disto, porque não há como julgar adredemente. Não fora assim, outros políticos como o próprio Governador do Paraná, não teriam obtido a chance e o indiscutível sucesso que obtiveram.

Por outro lado, a costura política de Maurício Requião, que está se saindo um candidato diferenciado, porquanto até bater leque o fez nesta semana, dá um indicativo de que ele poderá, sim, não só manter os altos números que obteve até agora, mas aumenta-los por força de sua atuação e simpatia, no que diverge frontalmente do seu genitor! Assim, a tarefa de quem representará o atual governo fica a cada dia mais difícil, em face da evidente divisão interna, e da procrastinação à qual já me referi anteriormente.

Diferentemente de todos os analistas, reitero que alijar desde já da disputa o governador que estará em exercício de 04 de abril, a saber, Darci Piana, é desde logo uma demonstração de etarismo e em análise imediatamente posterior, desconhecimento da capacidade construtiva de pontes de Darci.

MAURO MORAES E OGIER BUCHI

E A PESQUISA?

Se aguardava com imenso interesse uma pesquisa do Instituto que hoje é referência nacional, e que tem base – ou pelo menos, uma parte dela – muito forte aqui no Paraná.

Pois para minha surpresa, enquanto vogava em território europeu o Murilo Hidalgo, por aqui a sua pesquisa tomava um quinau da Justiça Eleitoral. Confesso que achei deveras estranho, considerando o tempo que a Paraná Pesquisas já tem de estrada, e sua experiência em bem pesquisar. Daí porque tomei o cuidado de ler em parte a decisão de Sua Excelência, a Desembargadora Sandra Bauermamm, que suspendeu a dita pesquisa atendendo ao pedido do Diretório Estadual do Partido Socialista Brasileiro (PSB). O levantamento impugnado está registrado sob nº PR 06254/2026, contratado sob os auspícios do caixa do Partido Liberal (PL), para medir cenários eleitorais para o Governo e Senado no périplo 2026.

Não entendo como Murilo aceitou fazer perguntas como por exemplo: “Requião Filho com apoio do Presidente Lula”; “Giacobo com apoio de Jair Bolsonaro”; “Guto Silva com apoio do Governador Ratinho Junior”, o que evidentemente ofende os critérios isonômicos e desconstrói neutralidade exigida em levantamentos eleitorais.

Murilo teria dito que iria recorrer da decisão, o que lhe é de direito, naturalmente. Todavia, a um observador experiente, cabe a pergunta: por quem sois, Paraná Pesquisa?

ORAÇÃO DE OGIER BUCHI:

Senhor, o tempo passa, e os políticos ficam cada vez mais sem vergonha. Em especial, gastando o dinheiro do povo no chamado Fundo Eleitoral. Que vergonha, Senhor…