O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, e o ministro André Mendonça se reuniram na noite de segunda-feira (9) para discutir desdobramentos da investigação envolvendo o Banco Master. Mendonça é o relator da ação no Supremo.
O encontro tratou de menções a ministros da Corte encontradas em dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do banco. Relatórios da Polícia Federal identificaram referências aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli no material analisado durante as investigações sobre fraudes ao sistema financeiro nacional.
A reunião ocorreu apenas entre Fachin e Mendonça e não constava na agenda oficial do presidente do STF.
Menções a Alexandre de Moraes
Relatórios da Polícia Federal apontaram registros de mensagens atribuídas a conversas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro horas antes da prisão do banqueiro, em 17 de novembro de 2025. Os trechos foram encontrados no bloco de notas do aparelho de Vorcaro e, segundo os investigadores, teriam sido enviados pelo WhatsApp em modo de visualização única.
Em nota, Moraes negou ter trocado mensagens com o banqueiro. No domingo (8), o gabinete do ministro voltou a afirmar que não há qualquer vínculo entre o magistrado e Vorcaro e classificou como falsa a informação de que Moraes teria frequentado uma casa ligada ao empresário em Trancoso, no sul da Bahia.
Contrato com escritório de Viviane Barci
A investigação também identificou, no celular de Vorcaro, um contrato de consultoria jurídica firmado com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
Em nota divulgada na segunda-feira (9), a advogada afirmou que o escritório prestou serviços ao Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, período em que foram realizadas 94 reuniões de trabalho. Segundo o comunicado, os serviços envolveram temas como direito previdenciário, trabalhista, contratual, regulatório, compliance, proteção de dados e crédito, além de análises estratégicas de investigações e processos nas áreas penal e administrativa relacionados ao banco e seus dirigentes.
Menções a Dias Toffoli
No caso do ministro Dias Toffoli, relatórios da investigação também apontaram registros de contato com Daniel Vorcaro. Dados extraídos do celular do banqueiro indicariam ligações telefônicas, troca de mensagens e convites para eventos sociais, incluindo um aniversário do ministro.
Também foram encontradas referências ao resort Tayayá, empreendimento turístico ligado ao magistrado no interior de Goiás.
Operação e nova prisão
Na quarta-feira (4), Daniel Vorcaro voltou a ser preso pela Polícia Federal em São Paulo durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. O banqueiro foi transferido na sexta-feira (6) para a penitenciária federal de Brasília.
Nos bastidores do STF, ministros têm demonstrado preocupação com a condução da investigação e cobrado um posicionamento institucional sobre as menções a integrantes da Corte.
Possível CPI no Senado
No Senado, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou ter reunido as assinaturas necessárias para apresentar um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a conduta de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes no caso envolvendo o Banco Master.
Segundo o parlamentar, o objetivo é realizar uma investigação sobre os fatos citados nos relatórios e contribuir para o fortalecimento da confiança nas instituições.
Na mesma noite, Edson Fachin também se reuniu com a diretoria do Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Durante o encontro, o presidente da entidade, Beto Simonetti, informou que a OAB pretende solicitar acesso irrestrito ao material já produzido na investigação e pedir uma reunião com o ministro André Mendonça, relator do caso no STF.
