Fachin nomeia delegado da PF que investigou Bolsonaro para gabinete de Alexandre de Moraes

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, nomeou o delegado da Polícia Federal Fábio Alvarez Shor para atuar como assessor no gabinete do ministro Alexandre de Moraes. A nomeação foi assinada nesta terça-feira (10).

Na Polícia Federal, Shor ficou responsável por investigações que indiciaram o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados. Os inquéritos tinham relatoria de Alexandre de Moraes no STF.

Especialista em contrainteligência, o delegado atuava na Diretoria de Inteligência Policial (DIP) da PF. Ele participou de apurações relacionadas aos atos de 8 de janeiro, à investigação sobre a tentativa de golpe e ao caso das joias sauditas, que tiveram Bolsonaro no centro das investigações.

Segundo informações da PF, a cessão do delegado ao Supremo foi solicitada por Alexandre de Moraes. O ofício foi encaminhado à corporação para que Shor passasse a trabalhar diretamente no gabinete do ministro, que é relator do processo que apura a chamada trama golpista.

Fábio Alvarez Shor foi o responsável pelo indiciamento de Jair Bolsonaro em novembro de 2024, quando concluiu que o ex-presidente teria liderado uma tentativa de golpe de Estado. No relatório final, o delegado apontou os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa.

O delegado havia sido designado pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em fevereiro do ano passado para chefiar a Divisão de Investigações e Operações, vinculada à Diretoria de Inteligência Policial.

Perfil

Na Polícia Federal, Fábio Alvarez Shor é descrito como um delegado de perfil técnico e discreto. Antes de assumir a chefia da divisão na área de inteligência, ele atuou na coordenação de contrainteligência da corporação.

Shor passou a conduzir investigações envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro no início de 2022, quando a delegada Denisse Ribeiro, então responsável pelas apurações, se afastou para licença-maternidade.

O delegado também foi alvo de críticas de parlamentares da direita e, segundo integrantes da Polícia Federal, já sofreu tentativas de intimidação e ameaças, inclusive no prédio onde reside. A corporação ainda não informou quem irá substituí-lo na função que ocupava anteriormente.