Lula e Trump discutem tarifas comerciais e combate ao crime organizado em reunião na Casa Branca

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta quinta-feira (7) que propôs ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a criação de um grupo de trabalho bilateral para discutir tarifas de importação e exportação entre os dois países. A declaração foi dada após uma reunião realizada na Casa Branca, em Washington, que durou cerca de três horas.

Segundo Lula, a proposta prevê que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil e o Departamento do Comércio dos Estados Unidos analisem conjuntamente as divergências comerciais e apresentem, em até 30 dias, um plano para avançar nas negociações.

Durante a conversa, Trump teria reclamado das tarifas cobradas sobre produtos norte-americanos. Lula rebateu afirmando que a média aplicada pelo Brasil seria de 2,8%, enquanto o republicano sustentou que o percentual chegaria a 12%. Diante do impasse, o presidente brasileiro sugeriu a criação do grupo técnico.

“Quem estiver errado vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder”, declarou Lula a jornalistas após o encontro.

Além das questões comerciais, os chefes de Estado discutiram ações de combate ao crime organizado internacional. Lula afirmou que não houve conversa específica sobre uma eventual classificação das facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos Estados Unidos.

O presidente brasileiro destacou que defendeu estratégias voltadas ao desenvolvimento econômico como forma de enfrentamento ao narcotráfico. Segundo ele, é necessário oferecer alternativas de renda às regiões produtoras de drogas na América Latina.

“Como que você vai fazer um país deixar de produzir coca se você não oferece alternativa de algum produto para que se possa plantar e ganhar dinheiro?”, questionou Lula.

O petista também sugeriu a criação de um grupo de trabalho envolvendo países latino-americanos para ampliar a cooperação no combate ao crime organizado, ao tráfico de drogas e ao tráfico de armas. Lula ressaltou a experiência brasileira na área, destacando a atuação da Polícia Federal.

Ainda durante a entrevista, o presidente antecipou que o governo federal deve lançar, na próxima semana, um novo plano nacional de combate ao crime organizado.

Ao avaliar o encontro, Lula afirmou que deixou a reunião “satisfeito” e classificou o diálogo com Trump como um passo importante para fortalecer as relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Em tom descontraído, o presidente brasileiro disse que houve uma “relação de amor à primeira vista” entre os dois líderes e brincou ao afirmar que “ensinou Trump a rir”.

Nas redes sociais, Trump definiu Lula como “um presidente dinâmico” e afirmou que a reunião foi “muito boa”. O norte-americano também informou que representantes dos dois governos já têm novos encontros agendados para discutir temas estratégicos envolvendo comércio e tarifas.

“Acabei de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o dinâmico Presidente do Brasil. Discutimos diversos temas, incluindo Comércio e, especificamente, Tarifas. A reunião foi muito boa”, publicou Trump.

Já Lula resumiu o encontro como uma “reunião muito produtiva” com o presidente norte-americano na Casa Branca.