Flávio Bolsonaro celebra decisão dos EUA contra PCC e CV; governo Lula reage e alerta para risco de intervenção

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, comemorou nesta quinta-feira (28) a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como “organizações terroristas estrangeiras”. A medida foi anunciada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, e passa a valer a partir do dia 5 de junho.

Em publicação nas redes sociais, Flávio escreveu apenas “Grande dia”, em referência ao bordão usado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro após o anúncio da saída do ex-deputado Jean Wyllys do Brasil. O senador compartilhou a mensagem de Rubio sobre a classificação das facções brasileiras.

Segundo Flávio Bolsonaro, o tema foi tratado diretamente durante reunião realizada nesta semana com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O senador afirmou que pediu ao governo americano o enquadramento das facções como organizações terroristas.

Ao anunciar a medida, Marco Rubio afirmou que o PCC e o CV estão entre “as organizações criminosas mais violentas do Brasil” e que a influência dos grupos ultrapassa as fronteiras brasileiras.

“Hoje, designei essas organizações como Organizações Terroristas Estrangeiras e como Terroristas Globais Especialmente Designados”, escreveu Rubio na rede social X. O secretário também declarou que o governo Trump continuará utilizando “todas as ferramentas disponíveis” para impedir o financiamento das facções criminosas.

A decisão provocou forte reação do governo federal e de parlamentares ligados à base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em nota oficial, o assessor especial da Presidência, Celso Amorim, afirmou que o combate ao crime organizado é necessário, mas alertou contra qualquer possibilidade de intervenção estrangeira.

“Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socioeconômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção é inaceitável”, afirmou Amorim.

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, criticou a atuação dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro junto ao governo americano. Segundo o parlamentar, Flávio e o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro estariam tentando transferir para os Estados Unidos debates que perderam no Congresso Nacional.

“A família Bolsonaro presta mais um desserviço ao Brasil. Depois de reivindicar sanções, tarifas e pressões estrangeiras contra a economia brasileira, Flávio e Eduardo avançam agora sobre a segurança pública nacional, usando o crime organizado como pretexto para entregar o país ao comando de Trump”, declarou Uczai.

O deputado ainda alertou para possíveis impactos econômicos e financeiros da medida, citando riscos de sanções, bloqueios de ativos e restrições internacionais envolvendo instituições financeiras brasileiras.

Também pelas redes sociais, o deputado Lindbergh Farias afirmou que a decisão representa “um ataque brutal” à soberania nacional. Segundo ele, o governo Lula já atua no combate às facções por meio de operações da Polícia Federal e da Receita Federal.

“Eduardo e Flávio são irresponsáveis e não querem combater o crime organizado. Eles querem nos vulnerabilizar e abrir espaço para intervenção militar dos EUA no Brasil”, escreveu Lindbergh.

Do lado da oposição, a medida foi celebrada. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, afirmou que a decisão representa “um grande dia para quem acredita em lei, ordem e justiça”.

“O povo brasileiro não quer criminoso tratado com proteção política, quer facção combatida, criminoso preso e o Estado enfrentando o crime de verdade”, escreveu.

Sóstenes ainda afirmou que o presidente Lula fracassou ao tentar convencer o governo americano a não classificar o PCC e o CV como organizações terroristas.

Outro nome que se manifestou foi o deputado federal Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo e pré-candidato ao Senado. Para Derrite, a decisão demonstra a dimensão internacional do problema enfrentado pelo Brasil.

“Enquanto o governo Lula insiste em tratar a segurança pública como tema secundário, o mundo reconhece a gravidade da ameaça representada pelo PCC e pelo Comando Vermelho”, afirmou.

O parlamentar também defendeu uma postura mais rígida no combate às facções criminosas e declarou que a soberania brasileira depende do enfrentamento ao domínio do crime organizado em diversas regiões do país.

A decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos amplia a pressão internacional sobre o combate ao crime organizado no Brasil e acirra o embate político entre governo e oposição em torno do tema da segurança pública.