Foto: Waldemir Barreto/ Agência Senado
Após o desfecho do segundo turno das eleições presidenciais, os bastidores do Congresso Nacional já voltaram as atenções para a sucessão do comando do Legislativo. Lideranças de oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciaram articulações para lançar um nome único no Senado contra a recondução do atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre.
Nesta terça-feira (27/10), o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), reúne-se com a líder do PP no Senado, Tereza Cristina (MS), para alinhar estratégias e definir qual dos dois nomes representará o bloco oposicionista na disputa marcada para 1º de fevereiro.
A movimentação busca conter a rápida consolidação do favoritismo de Alcolumbre, que na segunda-feira (26/10) recebeu a sinalização formal de apoio do presidente Lula para continuar no comando da Casa.
Os articuladores da oposição avaliam dois cenários para inviabilizar a vitória do parlamentar do Amapá, que precisa de pelo menos 41 votos dos 81 senadores para se reeleger:
Rogério Marinho (PL-RN): Conta com o peso da bancada do PL, que terá a maior fatia na nova legislatura, somando 29 senadores.
Tereza Cristina (MS): É vista por lideranças do bloco como um nome de perfil mais palatável e moderado entre os senadores independentes. Se o PL garantir o apoio formal de sua bancada a ela, aliados estimam que a ex-ministra pode captar votos isolados em outros partidos e alcançar até 42 votos.
Enquanto aliados de Alcolumbre afirmam que o senador já contabiliza cerca de 48 votos favoráveis, a oposição contesta os números e calcula que ele tem hoje 38 apoios firmados — três a menos do que o piso necessário para a vitória.
Pragmatismo partidário e o peso das bancadas do Centrão
O caminho da oposição enfrenta resistências dentro de partidos alinhados à direita devido a arranjos políticos nacionais liderados pelo Centrão. Os presidentes do União Brasil, Antonio de Rueda, e do Progressistas (PP), Ciro Nogueira, já sinalizaram aval à recondução de Alcolumbre.
Lideranças partidárias também apontam que legendas como MDB, Republicanos e Podemos sinalizaram apoio ao atual presidente do Senado.
No caso do PP, a reaproximação de Ciro Nogueira com Alcolumbre e com o Palácio do Planalto envolve dois fatores centrais:
Blindagem política: A busca por contenção nos desdobramentos de investigações relacionadas ao chamado caso Master.
Troca de apoios na Câmara: O acerto para que o União Brasil apoie a recondução do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), afilhado político de Nogueira, à presidência da Câmara dos Deputados.
Apesar da sinalização da direção partidária, senadores do PP relataram que a decisão não passou por consulta prévia à bancada da Casa, o que abre margem para dissidências internas durante a votação secreta em fevereiro.
