Foto: Ton Molina/Agência Senado
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura do governo Jair Bolsonaro (PL), criticou a decisão das cúpulas do União Brasil e do Progressistas (PP) de apoiar a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) à presidência do Senado Federal. Ao defender a autonomia dos parlamentares na escolha do próximo presidente da Casa, ela voltou a sinalizar interesse em disputar o cargo na eleição prevista para fevereiro de 2027.
Em manifestação publicada na terça-feira (27), Tereza Cristina ressaltou que o voto dos senadores é “livre, soberano e secreto”, em referência ao apoio antecipado anunciado pelas direções partidárias. Para a senadora, os parlamentares precisam ter liberdade para decidir seus posicionamentos e representar os interesses dos eleitores.
A ex-ministra também destacou a importância do diálogo na construção de entendimentos dentro do Congresso Nacional. Na mesma manifestação, afirmou que pretende ouvir os colegas, especialmente as 12 novas integrantes da bancada feminina que deverão assumir seus mandatos na próxima legislatura.
Disputa envolve Rogério Marinho e a oposição a Alcolumbre
O nome de Tereza Cristina vem sendo cogitado desde o início do ano como alternativa na disputa pelo comando do Senado. No entanto, o cenário ganhou novos contornos após Rogério Marinho (PL-RN) passar a ser apontado como possível candidato do PL para enfrentar Alcolumbre.
Aliados do senador defendem a articulação entre os parlamentares da atual legislatura e os novos integrantes da Casa a partir de 2027 para tentar impedir a continuidade do atual presidente. A eleição também é vista por setores da oposição como estratégica para a pauta de fiscalização dos demais Poderes e para a tramitação de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Um dos principais pontos de divergência é a condução dos pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes. Críticos de Alcolumbre afirmam que o presidente do Senado mantém os requerimentos sem andamento, apesar do apoio parlamentar reunido em torno de alguns deles.
União Brasil e PP defendem continuidade
Ao anunciar o apoio à reeleição de Alcolumbre, os presidentes nacionais do União Brasil, Antonio Rueda, e do PP, Ciro Nogueira, justificaram a decisão pela necessidade de estabilidade política e institucional.
As lideranças destacaram a experiência de Alcolumbre na condução do Senado e do Congresso Nacional, além de sua capacidade de promover o diálogo, construir consensos e preservar a independência do Legislativo e a harmonia entre os Poderes.
A posição das duas siglas, porém, abriu espaço para divergências sobre a estratégia partidária e sobre a liberdade de decisão dos senadores na votação.
Eleição será em fevereiro de 2027
A escolha do próximo presidente do Senado ocorrerá em fevereiro de 2027, por votação secreta. Até lá, a definição das candidaturas dependerá das articulações entre partidos, bancadas e parlamentares.
A manifestação de Tereza Cristina indica que a disputa ainda está aberta e que o apoio anunciado pelas direções partidárias não encerra o debate entre os senadores. A definição dos nomes e a capacidade de construir maioria serão determinantes para a eleição que comandará os trabalhos da Casa pelos próximos dois anos.
