Flávio Bolsonaro nega favorecimento em negociações com Daniel Vorcaro para filme sobre Jair Bolsonaro

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro divulgou um novo pronunciamento nesta quinta-feira (15) para rebater acusações envolvendo negociações financeiras com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na nota, Flávio afirma que não houve “doação, favor, empréstimo pessoal, camaradagem ou vantagem política” na relação mantida com Vorcaro. Segundo o senador, sua participação ocorreu apenas na busca por investidores privados para a produção cinematográfica.

A manifestação ocorre após reportagem publicada pelo Intercept Brasil na última quarta-feira (13), apontando que o parlamentar teria participado de negociações envolvendo cerca de R$ 134 milhões para financiar o longa-metragem. De acordo com os documentos citados pela reportagem, ao menos US$ 10,6 milhões — aproximadamente R$ 61 milhões — teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações bancárias destinadas ao projeto.

Ainda na quarta-feira, Flávio já havia divulgado uma primeira nota alegando que atuou apenas “como um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”.

No novo comunicado, o senador detalha que o investimento feito por Vorcaro previa retorno financeiro baseado no desempenho comercial da obra. Ele também negou que recursos tenham sido destinados ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro.

“Os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos”, afirmou.

Flávio também apresentou sua versão sobre a cronologia da relação com o ex-banqueiro. Segundo ele, o contato ocorreu em 2024, antes de qualquer acusação pública envolvendo Vorcaro.

“O contato ocorreu em 2024 quando os fatos hoje atribuídos a Vorcaro não eram conhecidos publicamente. À época, ele circulava normalmente no mercado, patrocinava eventos, programas de TV e iniciativas empresariais”, declarou.

O senador afirmou ainda que rompeu relações após o não cumprimento dos aportes previstos e após o surgimento das acusações envolvendo o empresário.

Na reta final do comunicado, Flávio Bolsonaro criticou comparações com integrantes do PT e defendeu a instalação de uma CPI para investigar o caso envolvendo o Banco Master.

Confira a nota na íntegra

“É preciso restabelecer os fatos e separar investigação séria de tentativa de contaminação política.

Minha participação no projeto do filme sobre o presidente Jair Bolsonaro limitou-se à busca de investimento privado para uma obra cultural privada, produzida nos Estados Unidos, sem recurso público, sem Lei Rouanet, sem Embratur, sem prefeitura e sem qualquer contrapartida ligada ao meu mandato.

Me relacionei com Daniel Vorcaro estritamente no papel de um filho que buscava patrocínio de um empresário para o filme em homenagem ao pai. Não houve doação, favor, empréstimo pessoal, camaradagem ou vantagem política. Ele fez um investimento que previa retorno financeiro conforme o desempenho comercial da obra. Também é falsa a insinuação de que recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro: os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos.

A linha do tempo é decisiva. O contato ocorreu em 2024 quando os fatos hoje atribuídos a Vorcaro não eram conhecidos publicamente. À época, ele circulava normalmente no mercado, patrocinava eventos, programas de TV e iniciativas empresariais, inclusive evento empresarial em Nova York, promovido por um grande grupo de comunicação brasileiro, em maio de 2024, no qual foi apresentado ao mercado americano.

É nesse contexto que buscamos o investimento no filme.

Quando os aportes deixaram de ser cumpridos e as acusações vieram a público, a relação foi encerrada e outros investidores foram buscados.

Não vou aceitar que nos misturem com os bandidos do PT. As relações são completamente distintas. Não houve reunião fora de agenda com presidente da República, pagamento a ex-ministro por acesso ao governo, contrato milionário com o ministro da Justiça, que é o chefe da PF, nem houve qualquer promessa de favorecimento ao banqueiro.

Tentar colocar todos na mesma vala é uma distorção política inaceitável.

Por isso, defendo que todos os fatos sejam investigados com rigor e transparência. Por isso, exigimos a CPI do Master já.”