TJPR aceita denúncia contra vereador Lórens Nogueira e MP pede afastamento do mandato

Foto: Rodrigo Fonseca/CMC

O Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) aceitou nesta quarta-feira (10) a denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, contra o vereador de Curitiba Lórens Nogueira (PP). Com a decisão, o parlamentar passa a responder formalmente ao processo na condição de réu.

A denúncia está relacionada a um suposto esquema de “rachadinha” envolvendo uma servidora comissionada do gabinete do vereador. Segundo o Ministério Público, entre novembro de 2025 e abril de 2026, a assessora teria sido obrigada a repassar mensalmente R$ 5 mil ao parlamentar sob ameaça de exoneração do cargo.

De acordo com a acusação, os repasses teriam ocorrido em cinco ocasiões. O Ministério Público enquadrou o caso no crime de concussão, que ocorre quando um agente público exige vantagem indevida em razão da função que exerce.

Ministério Público pede afastamento

Além da denúncia criminal, o Ministério Público do Paraná solicitou o afastamento cautelar de Lórens Nogueira do mandato de vereador enquanto as investigações seguem em andamento.

Durante a apuração, o Gaeco realizou mandados de busca em endereços ligados ao parlamentar e obteve autorização judicial para acessar imagens que, segundo os investigadores, mostram o vereador recebendo dinheiro em espécie de uma servidora de seu gabinete.

Para os promotores, os valores registrados nas imagens seriam provenientes do esquema investigado.

Vereador nega irregularidades

Em depoimento prestado ao Ministério Público, Lórens Nogueira negou as acusações e afirmou que os valores recebidos não têm relação com qualquer prática ilegal.

Segundo o vereador, o dinheiro era referente ao pagamento de um empréstimo pessoal concedido à servidora.

“Eu fiz um empréstimo para ela. Passei um valor para ela e, desde então, tenho cobrado, porque emprestei na amizade, por conhecer a família e por ela ser uma indicada minha em um cargo”, declarou durante o interrogatório.

Questionado pelos investigadores sobre o valor emprestado, o parlamentar afirmou que a quantia era de aproximadamente R$ 12 mil e que vinha cobrando a devolução dos recursos.

Próximos passos

Com o recebimento da denúncia pelo Tribunal de Justiça do Paraná, o processo entra na fase de instrução criminal, quando serão produzidas provas, ouvidas testemunhas e analisados os elementos apresentados tanto pela acusação quanto pela defesa.

O pedido de afastamento cautelar formulado pelo Ministério Público ainda deverá ser analisado pela Justiça.

A defesa de Lórens Nogueira sustenta que os repasses registrados pelos investigadores correspondem exclusivamente ao pagamento de uma dívida pessoal e nega a existência de qualquer esquema de desvio de salários de servidores do gabinete parlamentar.