Flávio Bolsonaro repudia fala de Paulo Figueiredo sobre mulheres e tenta conter crise com Michelle

O senador e pré-candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, repudiou nesta quarta-feira (1º) as declarações de Paulo Figueiredo sobre o eleitorado feminino. O aliado do parlamentar havia afirmado que “mulher vota muito mal”, declaração que provocou repercussão dentro do partido.

Durante encontro de mulheres promovido pelo PL, em Brasília, Flávio fez questão de se distanciar da fala e afirmou que, embora Paulo Figueiredo auxilie nas articulações do grupo com o governo dos Estados Unidos, não responde pelas declarações feitas por ele.

“Eu quero repudiar veementemente a fala do Paulo Figueiredo sobre as mulheres. Não concordo com o que ele falou. Completamente equivocado”, afirmou.

O senador também disse ter se sentido pessoalmente ofendido pela generalização feita pelo aliado.

“Eu não tenho a responsabilidade sobre o que ele fala, mas tenho obrigação de falar aqui e eu me senti ofendido com a fala a partir do momento que ele generaliza e fala das mulheres, inclusive da fala da minha esposa.”

Eleitorado feminino é desafio para a pré-campanha

A manifestação ocorre em um momento em que a aprovação de Flávio Bolsonaro entre as mulheres é considerada um dos principais desafios de sua pré-campanha presidencial.

Mesmo após uma ofensiva voltada ao público feminino durante as ações do Dia Internacional da Mulher, em março, pesquisas de intenção de voto indicam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém vantagem nesse segmento do eleitorado.

O evento também marcou a primeira manifestação pública de Flávio Bolsonaro sobre a crise envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

O encontro foi realizado um dia após Michelle anunciar sua saída da presidência nacional do PL Mulher. Apesar da expectativa de que ambos participassem do evento para demonstrar unidade, Michelle não compareceu. Também esteve ausente a senadora Damares Alves, outra importante liderança feminina ligada ao bolsonarismo.

A ausência das duas lideranças evidenciou o desgaste interno no grupo político. Nos bastidores, a crise teve início após divergências sobre alianças eleitorais no Ceará e ganhou dimensão pública depois que Michelle afirmou ter sido “maltratada” e “humilhada” por Flávio durante uma conversa telefônica.

Embora tenha evitado comentar diretamente o conflito familiar, a fala do senador foi interpretada como uma tentativa de reduzir a tensão e reforçar o diálogo com o eleitorado feminino em um momento considerado estratégico para sua pré-campanha.