O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convidou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes para “tomar um café” após uma cerimônia realizada nesta quarta-feira (29), no Palácio do Planalto. O convite foi captado pelos microfones da transmissão oficial do evento, logo após a sanção da lei que cria o chamado “Pix Pensão Alimentícia”.
Após o encerramento da solenidade, Moraes aproximou-se do presidente para uma breve conversa, momento em que Lula fez o convite de forma espontânea. O encontro ocorreu poucos dias depois da convenção nacional do PL, realizada em São Paulo, onde o presidente da Argentina, Javier Milei, fez duras críticas tanto ao presidente brasileiro quanto ao ministro do STF.
Durante seu discurso, Milei chamou Lula de “presidiário” e atribuiu ao petista responsabilidade pela situação econômica do Brasil. O presidente argentino também dirigiu ofensas pessoais a Alexandre de Moraes, chamando o magistrado de “lixo careca”. As declarações provocaram forte reação diplomática entre Brasil e Argentina.
Após o episódio, o Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires e o representante diplomático argentino em Brasília para tratar da crise.
Apesar da tensão, interlocutores do governo afirmaram que Lula orientou auxiliares a reduzir o nível do confronto público com Milei. Ainda assim, o presidente brasileiro voltou a criticar o argentino nesta quarta-feira, referindo-se a ele como “aquela coisa” e classificando seu discurso na convenção do PL como uma “patacoada”.
Do lado argentino, integrantes da Casa Rosada afirmaram que não há previsão de um pedido de desculpas pelas declarações feitas por Javier Milei contra Lula e Alexandre de Moraes.
O episódio também reacendeu debates sobre a proximidade institucional entre integrantes do Poder Executivo e do Supremo Tribunal Federal. Enquanto aliados do governo classificam o encontro como um gesto de normalidade entre autoridades da República, opositores apontam que a imagem reforça críticas sobre uma suposta relação excessivamente próxima entre o Palácio do Planalto e ministros da Suprema Corte — avaliação que é contestada por defensores das instituições, que afirmam não haver irregularidade em encontros entre chefes de Poderes.
