A campanha de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, escalou o ex-procurador da Operação Lava Jato e senador eleito pelo Paraná, Deltan Dallagnol (Novo-PR), para analisar os documentos que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu apresentar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Dallagnol foi pessoalmente à sede do TSE nesta quinta-feira (22), acompanhado da advogada Maria Cláudia Bucchianeri, responsável pelo jurídico da campanha de Flávio, e do assessor de imprensa Fábio Portela.
A equipe do candidato do PL afirma que a entrega de seus sigilos bancário e telefônico está condicionada à confirmação de que Lula apresentou integralmente as informações solicitadas. A campanha argumenta que é necessário verificar o cumprimento das condições antes de divulgar os dados do candidato.
O que Flávio Bolsonaro exige de Lula
Lula oficializou no TSE a proposta de apresentar informações em troca da divulgação dos sigilos de Flávio Bolsonaro. Em resposta, o candidato do PL estabeleceu exigências adicionais ao presidente.
Entre os documentos solicitados estão:
- Gastos com cartões corporativos da Presidência: registros desde janeiro de 2023;
- Agenda da primeira-dama Janja Lula da Silva: compromissos anteriores a fevereiro de 2025;
- Registros de visitas: informações sobre as visitas dos filhos de Lula ao Palácio da Alvorada;
- Sigilos bancário e fiscal: apresentação das informações abrangidas pelo compromisso assumido pelo presidente.
A campanha de Flávio sustenta que só apresentará os documentos do candidato depois de confirmar que as informações prometidas por Lula foram entregues integralmente.
Lula diz não se importar com a escolha de Deltan
Informado de que Deltan Dallagnol foi escolhido para analisar os documentos, Lula teria dito a aliados que não se importa com quem a campanha adversária indique para examinar suas contas.
Segundo assessores, o presidente afirmou que Flávio poderia escolher Dallagnol, o governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), ou qualquer outra pessoa para acompanhar a análise.
Deltan aponta divergências na apresentação dos documentos
Horas depois, Deltan Dallagnol afirmou que a documentação apresentada pela campanha petista não contemplaria integralmente as informações solicitadas. Segundo o ex-procurador, deveriam ter sido disponibilizados documentos relacionados aos sigilos bancário e fiscal, além dos registros de cartões corporativos.
Dallagnol também alegou que a equipe de Lula teria tentado deixar de fora informações relacionadas ao Instituto Lula e dados referentes a Vorcaro. O ex-procurador classificou a situação como uma “pegadinha” e um “golpe”.
A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro reiterou que a apresentação dos documentos do candidato depende da confirmação de que Lula cumpriu integralmente o compromisso assumido perante o TSE.
O caso amplia o embate entre as campanhas na reta final da disputa presidencial e coloca a transparência sobre informações financeiras e registros da Presidência no centro do debate eleitoral.
