Coluna do Ogier Buchi – O QUE ESPERAR DO SEGUNDO TURNO – 23/10/2026

Sem embargo de toda a ansiedade que antecede uma decisão desta envergadura, a véspera de eleição sempre me remete à velha lição de Heráclito, para quem ninguém se banha duas vezes no mesmo rio. O rio que correrá no domingo não é o mesmo de 4 de outubro, e tampouco o eleitor o será. Mudou o humor das ruas, mudaram as alianças, mudou, sobretudo, o grau de desespero de quem se vê ameaçado de perder o poder.

Faltam 48 horas para que esta Nação continental diga a que veio, e este escriba, que já viu passar muitas campanhas e outras tantas promessas, se permite ao menos o exercício de tentar antever o que nos aguarda. Não por pretensão de profeta, que não sou, mas por dever de ofício e, por que não dizer, por amor a este País.

A ARITMÉTICA DA ABSTENÇÃO

Reitero o que disse na semana passada. Quem decidiu o voto em sede de primeiro turno, salvo raríssimas exceções, manterá a postura. O eleitor convicto não muda de lado em três semanas, e seria ingenuidade supor o contrário.

Destarte, a eleição será decidida por quem não foi às urnas, por quem anulou e por quem votou em branco. É nesta multidão silenciosa, que se ausentou do direito de escolher seu futuro, que reside a chave do domingo. Com efeito, a abstenção é a grande eleitora deste pleito, e quem melhor souber convencê-la de que o voto importa sairá vitorioso.

Cabe aqui uma observação que reputo da maior importância. O eleitor que se absteve não é, necessariamente, um desinteressado. Muitas vezes é um desiludido, alguém que já não acredita que a política possa lhe oferecer algo além de discurso. E é exatamente para este cidadão que a campanha precisaria falar com seriedade, com proposta concreta, e não com gritaria.

O QUE ESPERAR DE LULLE

Não tenho a menor dúvida de que as próximas 48 horas serão de vale tudo no campo vermelho. A estratégia é conhecida e já foi testada à exaustão, a saber, o terrorismo eleitoral. Ouviremos que o adversário acabará com os programas sociais, que fechará universidades, que perseguirá minorias, que venderá o País a preço de banana. Nada disso tem amparo na realidade, mas a realidade nunca foi obstáculo para Lulle e seus asseclas.

Há uma frase que a tradição atribui ora a Churchill, ora a Mark Twain, segundo a qual a mentira dá a volta ao mundo antes que a verdade consiga calçar os sapatos. Poucas personalidades da vida pública brasileira compreenderam tão bem-este ensinamento quanto o vetusto ocupante do Planalto. Mente-se pela manhã, desmente-se à tarde, e no dia seguinte a mentira já está consolidada nas redes e nos grupos de mensagem.

Esperem, também, o uso desabrido da máquina pública, o desfile de anúncios de última hora e a boa vontade de imensa parte da imprensa, beneficiária confessa ou envergonhada do modelo que aí está. E não me surpreenderá, porquanto já vimos este filme, alguma decisão providencial do consórcio PT x Supremo nas horas finais, sempre com o verniz da legalidade e sempre na mesma direção.

O velho alcoolista, prejudicado pela idade e pelos hábitos pouco recomendáveis, não tem o que apresentar em relação ao futuro. Seu único programa é o passado, ou melhor, uma versão romantizada do passado que a memória do brasileiro, felizmente, ainda não apagou por completo. O que se viu nestas semanas foram as ruas tomadas pelos vermelhos, a baderna travestida de manifestação democrática e a tentativa desesperada de transformar o medo em voto.

O QUE ESPERAR DE FLÁVIO

Aqui, por dever de honestidade intelectual, não posso me furtar à crítica, ainda que ela se dirija ao candidato que tem meu voto e meu esforço.

Conquanto reconheça o mérito da campanha de Flavio Bolsonaro, que soube reunir em torno de si a esperança de milhões de brasileiros, me preocupa sobremodo o salto alto que percebo em parte de seu entorno. Eleição não se ganha com flyer bonito e polenta lotada. Eleição se ganha no corpo a corpo, na conversa com o vizinho, no convencimento do indeciso e, sobretudo, na presença do eleitor na seção eleitoral no domingo.

Gostaria muito, e creio não estar sozinho neste desejo, que nestas últimas horas o futuro Presidente falasse com clareza sobre o que pretende fazer com a Reforma Tributária que nos foi imposta, cujos efeitos, salvo engano, ainda não foram dimensionados por ninguém neste País. Gostaria que falasse de produção de riqueza, de crédito ao pequeno empreendedor, de segurança jurídica para quem investe, de trabalho como atividade que dignifica o homem. Não é pedir muito. É pedir o básico, e é exatamente o básico que o eleitor desiludido quer ouvir.

Não se trata de exigir do candidato um tratado de economia política às vésperas da eleição, mas de lhe pedir que apresente ao eleitor, com a simplicidade que a hora exige, um norte. Para onde vamos, com quem vamos e como vamos. O eleitor que hesita não quer promessa grandiosa, quer apenas a segurança de que haverá alguém sério ao leme.

Esta prática extorsiva de tirar de quem produz para distribuir conforme a conveniência eleitoral precisa ser enfrentada com coragem e com números. Deu para bola esta conversa de país do futuro que convive com crescimento pífio e carga tributária de primeiro mundo! O Brasil merece mais do que slogans, de lado a lado.

MAS E A RUA?

Na coluna anterior relatei o encontro com uma jovem professora que ostentava, com indisfarçável orgulho, o 13 no peito. Pois bem, nesta semana encontrei outras tantas, e também jovens, e também trabalhadores, e também aposentados, todos com a mesma convicção quase religiosa. Não os desprezos, ao contrário, o respeito como cidadãos, mas lamento profundamente que enxerguem no vetusto a esperança de dias mais auspiciosos.

É preciso reconhecer que a militância vermelha é organizada, disciplinada e incansável. Do nosso lado, não raro, sobra entusiasmo nas redes e falta presença física. E eleição, meus caros leitores, se decide na urna e não no aplicativo.

De minha parte, mantenho o enfrentamento que travo desde 2014, ao lado de muitos outros que jamais esmoreceram. Reitero que me coloquei à disposição dos recém-eleitos do PL para o trabalho, e reitero, também, que até o momento não obtive sequer resposta. Entendo o menoscabo, e não guardo mágoa, porquanto a causa é infinitamente maior do que qualquer vaidade pessoal. Questões pessoais, como já informei, serão tratadas nos foros adequados.

O PARANÁ TEM PAPEL DECISIVO

Não há embargo em afirmar que o Paraná, e Curitiba em particular, tem sido nos últimos anos uma espécie de trincheira da resistência ao projeto petista. Aqui nasceu a operação que desnudou o maior esquema de corrupção da história recente, aqui o eleitor deu respostas claras nas últimas eleições, e aqui, espero, a resposta será mais uma vez inequívoca.

Mas não basta vencer no Paraná. É preciso que cada paranaense que tenha parente, amigo ou conhecido em outros Estados faça sua parte nestas 48 horas. Um telefonema, uma mensagem, uma conversa franca pode valer mais do que qualquer propaganda oficial.

O DIA SEGUINTE

Por fim, e talvez o mais importante, cabe perguntar o que esperar de segunda-feira (26).

Vencendo Flávio, como creio e desejo, o trabalho estará apenas começando. O futuro Presidente encontrará um Congresso povoado de nanicos morais, comandado pelo piá de prédio e pelo pilantra do Amapá, além de um Supremo que se habituou a legislar, governar e julgar ao mesmo tempo. Haverá, ainda, a herança fiscal deixada pelo atual governo, que ninguém ousa dimensionar em voz alta. Não será tarefa para amadores. Será necessário pulso firme, articulação política séria e, sobretudo, um projeto de Brasil que até aqui, confesso, ainda não vi apresentado com a profundidade necessária.

Vencendo o outro lado, o que não cogito, mas não posso ignorar, o País mergulhará em mais quatro anos de estagnação, aparelhamento e desconstrução moral, com consequências que nem o mais pessimista dos analistas consegue dimensionar.

Seja qual for o resultado, espero que as instituições se comportem com a isenção que delas se espera, o que, convenhamos, tem sido artigo raro nos últimos tempos.

O QUE ESPERAR, AFINAL?

Espero o comparecimento. Espero que o brasileiro de bem saia de casa, em frente à fila, deixe de lado a preguiça e o desencanto e cumpra seu dever cívico. Espero que os indecisos decidam pela liberdade, pelo trabalho e pela dignidade. Espero, sinceramente, estar vivo e lúcido para ver este País tomar o rumo que merece.

O futuro, como escrevi na semana passada, é para já. E ele tem data marcada, domingo, 25 de outubro, e tem número, 22!

ORAÇÃO DE OGIER BUCHI

Senhor, que domingo o Brasil acorde cedo, vá às urnas e diga 22 vezes sim à sua liberdade!