Carol Dartora é questionada após reembolso de despesas com espumante e cerveja durante viagem oficial a Nova York

A deputada federal Carol Dartora (PT-PR) entrou no centro de uma polêmica após a divulgação de despesas com bebidas alcoólicas incluídas em pedidos de reembolso pagos com recursos públicos durante uma viagem oficial a Nova York, nos Estados Unidos, em março de 2026.

As despesas foram realizadas durante a participação da parlamentar na 70ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher, promovida na sede da Organização das Nações Unidas (ONU).

De acordo com reportagem do portal Metrópoles, assinada por Mateus Salomão e publicada na coluna de Tácio Lorran, dois comprovantes apresentados pela deputada incluíam o consumo de espumante e cerveja. O ressarcimento foi feito por meio da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP), embora as normas da Câmara dos Deputados não permitam o reembolso de bebidas alcoólicas.

Uma das notas fiscais, referente a uma refeição no restaurante The Palm Bar & Grill, registrou o consumo de três taças de espumante Gloria Ferrer Blanc de Blancs e uma sobremesa tiramisu. A conta totalizou US$ 84, sem gorjeta, e gerou um reembolso de R$ 453,84.

Em outro comprovante, do estabelecimento Luke’s Lobster, constavam um sanduíche de lagosta e uma cerveja artesanal. Nesse caso, a Câmara reembolsou R$ 216,18.

Somadas, as duas despesas chegaram a R$ 670,02. O valor corresponde ao total das contas, incluindo alimentos e bebidas, e não exclusivamente ao consumo de álcool.

Gabinete reconhece erro e promete devolução

Procurada pela reportagem do Metrópoles, a assessoria de Carol Dartora reconheceu que houve um erro na solicitação dos reembolsos.

Segundo o gabinete, os documentos estavam redigidos em inglês, o que teria dificultado a identificação dos itens consumidos e impedido que as bebidas alcoólicas fossem identificadas antes do encaminhamento dos pedidos de ressarcimento.

A equipe da deputada informou que adotará as providências administrativas necessárias para devolver integralmente os valores relacionados às despesas mencionadas, conforme as regras da Câmara dos Deputados.

Deputada fala em perseguição racista

Após a repercussão do caso, Carol Dartora se manifestou neste domingo (1º) em um comentário publicado no Instagram do XV Curitiba. A parlamentar criticou a abordagem do episódio e afirmou que as cobranças fazem parte de uma perseguição racista contra sua atuação política.

“Que hipocrisia nojenta! A indignação seletiva de vocês revolta. Três taças de espumante numa janta, uma cerveja tomada na estação de trem”, escreveu.

A deputada também afirmou que a fiscalização dos recursos públicos é legítima, mas criticou o que considera uma utilização discriminatória do episódio.

“Parece que, para uma mulher preta, até comer e beber precisa de fiscalização. Fiscalizar é legítimo; distorcer para alimentar perseguição racista é outra coisa”, declarou.

Em outro trecho da manifestação, questionou a dimensão da repercussão diante dos valores envolvidos.

“83 dólares vai quebrar o país? Que indignante uma mulher preta comer e beber”, afirmou.

Ao finalizar, a parlamentar reafirmou sua presença em espaços internacionais e criticou os ataques recebidos.

“Vai ter preta na ONU sim, e onde quisermos e vamos comer, beber, dançar sempre que pudermos!”, concluiu.

Regras da Câmara sobre reembolsos

A utilização da cota parlamentar está sujeita a regras específicas, que estabelecem quais despesas podem ser ressarcidas com dinheiro público. Entre as restrições está o pagamento de bebidas alcoólicas.

O episódio reúne, portanto, duas questões distintas: a apresentação de comprovantes que incluíam itens não permitidos pelas normas de ressarcimento e a manifestação da deputada, que considera a repercussão do caso marcada por discriminação racial.

Até o momento, segundo as informações divulgadas, o gabinete reconheceu o erro no pedido de reembolso e informou que providenciará a devolução integral dos valores referentes às despesas questionadas.