Zé Trovão ameaça disputar presidência da Câmara se PL apoiar reeleição de Hugo Motta

O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) anunciou que pretende disputar a presidência da Câmara dos Deputados caso o Partido Liberal decida apoiar a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) sem lançar um candidato próprio. A declaração expõe divergências dentro da maior bancada da Casa e aumenta a pressão sobre a direção nacional do partido nas negociações para a eleição da Mesa Diretora, prevista para fevereiro de 2027.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar catarinense afirmou que está disposto a registrar uma candidatura avulsa, utilizando as prerrogativas previstas no regimento da Câmara.

“Se o PL não lançar candidato a presidente da Câmara dos Deputados, eu serei o candidato. É regimental. Eu vou lançar a minha candidatura”, declarou.

Segundo Zé Trovão, ele já preparou um pedido para formalizar sua candidatura caso a legenda não apresente um nome próprio e competitivo para a disputa.

A manifestação ocorre em meio às articulações do Partido Liberal para apoiar a recondução de Hugo Motta ao comando da Câmara. Nas negociações, a legenda busca garantir espaço político no Congresso, incluindo apoio à candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado.

Outro objetivo da possível aliança é assegurar participação do PL na distribuição dos cargos de comando das comissões permanentes da Câmara, evitando que a legenda fique isolada na divisão dos espaços de poder.

A bancada do partido tem reunião marcada para esta terça-feira (3), quando deverá discutir o posicionamento da sigla nas eleições internas do Congresso.

A partir de 2027, o PL contará com 121 deputados federais e 28 senadores, segundo os números apresentados nas articulações partidárias. Para Zé Trovão, o tamanho da bancada deve ser utilizado para buscar protagonismo e disputar diretamente o comando da Câmara, em vez de apoiar um representante de outra legenda.

Um dos principais argumentos de Zé Trovão contra o apoio a Hugo Motta é o posicionamento político do presidente da Câmara, que, segundo o deputado catarinense, esteve ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições.

O parlamentar considera que o PL não deveria apoiar um nome que não esteja alinhado às principais bandeiras defendidas pela oposição.

Zé Trovão também relacionou a disputa pelo comando da Câmara a pautas consideradas prioritárias pelo grupo político, entre elas a situação judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

O deputado deixou claro que não pretende acompanhar uma eventual decisão da direção partidária favorável à reeleição de Motta.

“Vocês querem apoiar, apoiem. Mas eu não vou”, afirmou.

A posição de Zé Trovão representa, até o momento, uma iniciativa individual e não uma candidatura oficialmente lançada pela direção nacional do Partido Liberal.

A reunião da bancada será decisiva para indicar qual caminho a legenda pretende seguir: apostar em uma candidatura própria ou avançar nas negociações para apoiar Hugo Motta em troca de maior participação nos espaços de comando do Congresso.

Caso confirme sua intenção, Zé Trovão poderá protagonizar uma disputa interna com a estratégia defendida pela cúpula do partido.

A eleição para a presidência da Câmara está prevista para fevereiro de 2027. Até lá, as negociações devem intensificar as discussões sobre alianças, composição da Mesa Diretora e distribuição das comissões.