O dólar à vista operava em alta na manhã desta segunda-feira (7), em meio à repercussão de novas declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Às 9h26, a moeda norte-americana subia 0,62%, cotada a R$ 5,4547 na venda. Na sexta-feira (5), o dólar havia fechado em R$ 5,4245.
A elevação da cotação ocorre após Trump anunciar, em publicação nas redes sociais, que os Estados Unidos aplicarão uma tarifa adicional de 10% a qualquer país que se alinhar às chamadas “políticas antiamericanas” do Brics. “Não haverá exceções a esta política. Obrigado pela atenção!”, escreveu ele no Truth Social. Trump não especificou a quais ações se referia nem detalhou como a medida seria implementada.

A ameaça acontece no mesmo dia em que se inicia a cúpula anual do Brics, sediada no Rio de Janeiro e presidida pelo Brasil. O bloco, formado originalmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, expandiu-se nos últimos anos e hoje conta com 11 membros, incluindo Egito, Irã, Etiópia, Indonésia, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.
O Brics representa cerca de 24% do comércio global e abriga 48,5% da população mundial, segundo dados do Banco Mundial e da COMEVIX.
Reações internacionais
As declarações de Trump repercutiram entre os países membros do bloco. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que o Brics “nunca foi e nunca será direcionado contra terceiros países”. Já a China criticou o uso de tarifas como ferramenta de coerção, destacando que a prática “não serve a ninguém”.
A África do Sul, por sua vez, negou ter postura antiamericana e reforçou o interesse em firmar um acordo comercial com os EUA. “Nossas conversas continuam construtivas e frutíferas”, afirmou Kaamil Alli, porta-voz do Ministério do Comércio sul-africano.
A Malásia, país parceiro do Brics desde 2023, reiterou sua política externa independente e o foco na facilitação do comércio, sem alinhamento ideológico.
Atuação do Banco Central
Em meio ao cenário de tensão internacional, o Banco Central anunciou para esta sessão um leilão de até 35 mil contratos de swap cambial tradicional, com objetivo de rolagem do vencimento de 1º de agosto de 2025. A medida busca suavizar a volatilidade no câmbio diante das incertezas externas.
Membros titulares
Dezesseis anos após a primeira cúpula do Brics, o agrupamento cresceu e hoje abarca onze países membros:
- Brasil
- Rússia
- Índia
- China
- África do Sul
- Arábia Saudita
- Egito
- Emirados Árabes Unidos
- Etiópia
- Indonésia
- Irã
