Foto: Andressa Anholete/STF
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, pediu desculpas publicamente após associar a homossexualidade a uma hipótese de ofensa envolvendo o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema. A declaração foi feita durante entrevista ao portal Metrópoles e gerou repercussão nas redes sociais e no meio político.
Durante a entrevista, o ministro comentava o pedido de inclusão de Zema no chamado inquérito das fake news, conduzido no âmbito do Supremo Tribunal Federal. Ao abordar os limites de críticas e sátiras envolvendo figuras públicas, Mendes citou como exemplo a possibilidade de representação do político como homossexual, questionando se isso seria ofensivo. A fala foi amplamente criticada.
Após a repercussão negativa, Gilmar Mendes utilizou a rede social X para reconhecer o erro. “Errei quando citei a homossexualidade ao me referir ao que seria uma acusação injuriosa”, afirmou, acrescentando um pedido de desculpas. O ministro também declarou que existe uma “indústria de difamação” contra o STF e que pretende enfrentá-la.
A controvérsia ocorre em meio a um embate entre Mendes e Zema. O ministro solicitou ao relator do inquérito das fake news, Alexandre de Moraes, a inclusão do ex-governador na investigação. O pedido foi motivado por um vídeo publicado por Zema, no qual fantoches representando ministros do STF — incluindo Mendes e Dias Toffoli — fazem referência a um caso envolvendo o Banco Master.
No documento, Mendes argumenta que o conteúdo “vilipendia” a honra da Corte e de seus integrantes. O pedido foi encaminhado para análise da Procuradoria-Geral da República.
Romeu Zema reagiu duramente à fala do ministro, criticando o que chamou de excesso e afirmando que Mendes estaria “acima de tudo e de todos”. O ex-governador também manteve o tom crítico ao STF em publicações recentes, dando continuidade ao confronto público.
O episódio amplia a tensão entre integrantes do Judiciário e atores políticos, especialmente em torno dos limites entre liberdade de expressão, sátira e possíveis ofensas a instituições.
