MENDONÇA REBATE GILMAR E ELEVA TOM DE CONFRONTO NO CASO MASTER

Ministro André Mendonça durante a sessão da Segunda Turma do STF realizada em 11 de junho de 2024 no STF. Foto: Andressa Anholete/SCO/STF

Foto: Andressa Anholete/STF

O julgamento que manteve a prisão de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, expôs um dos momentos mais tensos da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) nos últimos anos. Relator das investigações envolvendo o Banco Master, o ministro André Mendonça respondeu de forma contundente às críticas feitas pelo ministro Gilmar Mendes e deixou claro que pretende levar as apurações adiante.

Durante a sessão, Gilmar Mendes questionou a necessidade da manutenção da prisão de Henrique Vorcaro e chegou a comparar aspectos da investigação com práticas atribuídas à Operação Lava Jato. A manifestação provocou forte reação de Mendonça, que rejeitou qualquer paralelo e fez uma defesa enfática da condução do caso.

Em uma série de declarações duras, Mendonça afirmou que não atua sob pressão da mídia, que não busca protagonismo e que não se presta a “trabalhos abjetos”. O ministro também revelou ter recusado uma proposta que classificou como “delação seletiva” e disse estar atento a movimentos que, segundo ele, tentam criar vícios processuais para enfraquecer a investigação.

“O que eu não vou admitir é tentativa de desacreditar a atuação, seja a minha como relator, seja a dos investigadores”, declarou.

Nos bastidores do STF, o embate foi interpretado como um marco na disputa em torno das investigações do Caso Master. A avaliação é que Mendonça aproveitou o julgamento para enviar um recado direto de que não pretende interromper as apurações e que vê tentativas de pressionar ou deslegitimar o trabalho conduzido pela relatoria.

Outro ponto observado foi o posicionamento do ministro Kassio Nunes Marques. Assim como já havia ocorrido no julgamento envolvendo Daniel Vorcaro, Nunes acompanhou Mendonça e votou pela manutenção da prisão. O resultado consolidou maioria na turma e reforçou a leitura de que as investigações seguem com respaldo dentro do colegiado.

As declarações mais contundentes de Mendonça chamaram atenção. Ao responder Gilmar Mendes, afirmou que não tem medo de enfrentar o crime aplicando a lei e que sabe que sua atuação poderá ser julgada pela história. Também indicou que novas revelações podem surgir a partir da análise de dados recentemente autorizada no âmbito da investigação.

O julgamento evidenciou que o Caso Master ultrapassou a discussão sobre medidas cautelares e passou a revelar uma disputa institucional mais ampla dentro do Supremo. Com novos desdobramentos previstos para os próximos meses, a tendência é de que a tensão entre as diferentes visões sobre a condução das investigações continue ocupando espaço no centro do debate jurídico e político nacional.