Lórens Nogueira nega “rachadinha” em depoimento e Comissão Processante encerra fase de instrução

A Comissão Processante 1/2026 da Câmara Municipal de Curitiba concluiu, nesta quarta-feira (16), a fase de instrução do Processo Ético-Disciplinar (PED) 2/2026 com o depoimento do vereador Lórens Nogueira (PP). Ouvido por cerca de uma hora e meia, o parlamentar negou todas as acusações que pesam contra ele, incluindo a suposta prática de “rachadinha” e o uso irregular de servidores públicos em atividades do Instituto Grupo Solidário.

A oitiva ocorreu na sala de reuniões da Diretoria de Apoio às Comissões da Câmara. Lórens esteve acompanhado pelo advogado de defesa, Jefferson Costa Vilela Pereira.

Durante o depoimento, o vereador afirmou que o vídeo apresentado na denúncia não registra a devolução de parte de salários de servidores, mas sim o pagamento, em dinheiro, de um empréstimo pessoal concedido à ex-colaboradora Cristina Aparecida de Melo, no valor aproximado de R$ 12 mil, após a campanha eleitoral de 2024.

Segundo Lórens Nogueira, a operação foi realizada em espécie porque Cristina enfrentava restrições bancárias e costumava sacar dinheiro após transferir o salário ao filho. O parlamentar reconheceu que não possui contrato, recibo ou qualquer documento formal que comprove o empréstimo, alegando que a negociação foi baseada na confiança entre ambos. Ele informou que pretende apresentar declarações do Imposto de Renda para comprovar a origem dos recursos utilizados no pagamento.

O vereador também rejeitou as acusações de utilizar servidores do gabinete em atividades do Instituto Grupo Solidário. Segundo ele, a entidade já existia antes de seu mandato e os colaboradores envolvidos já atuavam como voluntários antes de integrarem sua equipe parlamentar. “Mandato é mandato, instituto é instituto”, afirmou durante o depoimento.

Como surgiu a investigação

O Processo Ético-Disciplinar foi instaurado após representação apresentada pela bancada do Partido Novo, formada pelos vereadores Guilherme Kilter, Indiara Barbosa, Amália Tortato, Eder Borges e Bruno Secco.

A denúncia foi protocolada depois da Operação Déjà-Vu, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ligado ao Ministério Público do Paraná (MPPR).

Após análise da Corregedoria da Câmara, que apontou indícios suficientes para abertura do processo, o Plenário aprovou, por 35 votos a 1, a criação da Comissão Processante.

O colegiado é formado pelos vereadores Serginho do Posto (PSD), presidente; Da Costa (Podemos), relator; e Meri Martins (Republicanos). O procedimento segue o rito previsto no Decreto-Lei nº 201/1967, utilizado em processos que podem resultar na perda do mandato parlamentar.

Próximos passos

Com o encerramento da fase de instrução, a defesa terá cinco dias para apresentar as alegações finais.

Na sequência, o relator elaborará um parecer, que poderá recomendar o arquivamento do processo ou concluir pela procedência da denúncia, indicando eventual punição. O documento será analisado pelos três integrantes da Comissão Processante.

Caso a comissão opte pelo arquivamento, o processo será encerrado. Se entender pela procedência da denúncia, o parecer seguirá para votação em Plenário, onde os vereadores decidirão, em votação nominal, pela cassação ou manutenção do mandato de Lórens Nogueira.

O processo deverá ser concluído dentro do prazo legal de 90 dias contados da notificação do vereador, realizada em 10 de junho, com término previsto para o início de setembro.

Defesa atribui acusações à denunciante

Em sua manifestação, Lórens Nogueira responsabilizou principalmente Cristina Aparecida de Melo pelas acusações, afirmando que ela apresentou versões que considera falsas dos fatos.

O vereador declarou desconhecer os motivos da denúncia, apesar de afirmar que a denunciante e sua família mantinham uma relação próxima com o Instituto Grupo Solidário e participaram de sua campanha eleitoral.

Lórens também negou a existência de funcionários fantasmas ou desvios de função envolvendo servidores de seu gabinete e afirmou confiar no trabalho da Justiça e da Câmara Municipal para esclarecer o caso.

Fase de oitivas

Antes do depoimento do vereador, a Comissão Processante ouviu testemunhas indicadas pela relatoria e pela defesa nos dias 1º e 2 de julho.

Prestaram depoimento, entre outros, Cristina Aparecida de Melo, autora da denúncia ao Ministério Público do Paraná, além de Maria Helena Derosso, Joanita Freitas, Rita Barros, Carolina Brandão, Lindamir Tombolato, Claudete Silva, Glaucio Domingues, Nilson Rebellato, Ryan de Sá, Rosnele Armstrong, Tatiana Lima, Paulo Azevedo, Laura Bianchi, Thiago Barbosa Furtado, Elisabeth Lourenço, Márcia Rebellato e Lawrence Nogueira.

As oitivas não foram transmitidas ao vivo para preservar a incomunicabilidade entre os depoentes e evitar que um testemunho influenciasse outro. Todas as sessões, porém, foram gravadas para posterior disponibilização.