Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais deste domingo (25) e garantiu mais quatro anos à frente do governo federal. Com 100% das urnas apuradas, Lula obteve 51,79% dos votos válidos, revertendo a vantagem conquistada pelo adversário no primeiro turno.
O resultado ocorre em meio a uma disputa marcada pela polarização política, pela mobilização das bases eleitorais e por questionamentos jurídicos relacionados à prorrogação do horário de votação em parte do país. A decisão liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, que estendeu a votação até as 19h, também gerou controvérsia sobre os limites de atuação das instituições no processo eleitoral.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro havia terminado na frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença obrigou o presidente a intensificar a articulação política e buscar eleitores de candidatos que ficaram fora da etapa decisiva.
Após o resultado desfavorável no primeiro turno, Lula ampliou a divulgação de medidas econômicas e sociais na tentativa de conquistar votos. Entre as iniciativas estiveram o perdão de dívidas tributárias de microempreendedores individuais (MEIs), a promessa de renegociação de débitos bancários com descontos e o reajuste do Bolsa Família.
O governo também reforçou a defesa do fim da escala de trabalho 6×1, pauta que ganhou espaço no debate eleitoral. Paralelamente, manifestações em diferentes cidades reuniram movimentos sociais, estudantes, artistas e apoiadores da reeleição.
A estratégia contribuiu para manter o debate concentrado nas políticas econômicas e sociais, enquanto a oposição criticava o uso de medidas governamentais em período eleitoral.
Direita terá força expressiva na Câmara e no Senado
Apesar da vitória presidencial, Lula terá pela frente um Congresso Nacional com forte presença de partidos de direita e centro-direita. O PL, ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a Flávio Bolsonaro, deverá iniciar a próxima legislatura com a maior bancada nas duas Casas.
Na Câmara dos Deputados, o partido elegeu 121 parlamentares. No Senado, a legenda deverá contar com 28 integrantes a partir de fevereiro de 2027, considerando a composição prevista após as eleições.
A federação formada por PT, PCdoB e PV terá 88 deputados federais. Somadas às bancadas de PSOL-Rede, PSB e PDT, as legendas de esquerda e centro-esquerda alcançarão 124 cadeiras, número insuficiente para formar maioria na Câmara.
Nesse cenário, a aprovação de projetos dependerá da capacidade do governo de negociar com partidos do Centrão e outras forças políticas. Para aprovar uma proposta de emenda à Constituição, são necessários 308 votos na Câmara e 49 no Senado, em dois turnos de votação em cada Casa.
Disputa pela presidência do Senado ganha importância
A eleição para a presidência do Senado, prevista para o início de 2027, deverá se tornar um dos principais focos de articulação política. Entre os nomes cotados está o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
O comando da Casa tem influência sobre a pauta legislativa e sobre a tramitação de indicações para cargos de relevância institucional, incluindo as nomeações de ministros do Supremo Tribunal Federal.
Lula poderá realizar novas indicações à Corte durante o próximo mandato, conforme a abertura de vagas decorrentes de aposentadorias. A relação entre Executivo, Congresso e Judiciário deverá permanecer entre os temas centrais da política nacional.
A rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, para o STF, em abril de 2026, já havia demonstrado as dificuldades de articulação do governo com os parlamentares.
Novo mandato começa sob pressão política
A vitória nas urnas assegura a Lula a continuidade do projeto político do PT na Presidência, mas não elimina os desafios econômicos, institucionais e legislativos. Com uma oposição fortalecida e maior capacidade de influência no Congresso, o governo terá de construir acordos para avançar em sua agenda.
Para a oposição, o resultado presidencial representa a necessidade de reorganizar sua atuação e aproveitar a força parlamentar conquistada nas eleições. A disputa política deve continuar intensa, especialmente em temas econômicos, reformas constitucionais, segurança pública e indicações para os tribunais superiores.
O novo mandato começa, portanto, com um cenário de forte polarização e com o Congresso Nacional ocupando papel decisivo na definição dos rumos do país.
