O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) entrou nas articulações políticas em torno da disputa pela presidência do Senado Federal. Sua defesa solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para que ele receba os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS), ambos interessados em disputar o comando da Casa.
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária e pediu que os encontros sejam realizados em sua residência, em datas e horários a serem definidos pelo ministro. A preferência indicada pela defesa é por terças, quartas ou quintas-feiras.
O pedido ocorre em um momento estratégico das negociações para a sucessão de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), atual presidente do Senado, que busca permanecer no cargo. A escolha dos dois parlamentares para as visitas chama atenção pelo peso que ambos têm nas articulações da oposição.
A movimentação também abre espaço para uma possível negociação em torno de uma candidatura única, evitando que a divisão de votos entre nomes do mesmo campo político favoreça a permanência de Alcolumbre.
PL oficializa Rogério Marinho, mas Tereza Cristina mantém candidatura
Na quarta-feira (4), o PL oficializou Rogério Marinho como candidato à presidência do Senado. Líder da oposição, o parlamentar conta com o apoio de seu partido e do Novo e pretende ampliar sua base de sustentação para a eleição.
Marinho tem criticado o que considera uma postura de submissão do Senado ao Executivo e ao Judiciário. Sua candidatura busca reunir parlamentares insatisfeitos com a atuação da atual direção da Casa e que defendem uma postura mais independente diante dos demais Poderes.
Tereza Cristina, por sua vez, mantém a intenção de disputar a presidência e trabalha para conquistar apoio entre integrantes do Centrão e de outras bancadas. A senadora também tem a possibilidade de se tornar a primeira mulher a comandar o Senado Federal.
Apesar da existência de duas candidaturas, Marinho afirma que há entendimento entre os parlamentares para evitar um confronto direto. A ideia seria avaliar a viabilidade dos dois nomes e, posteriormente, buscar uma candidatura de consenso.
Alcolumbre trabalha para preservar sua base
Do outro lado, Davi Alcolumbre articula a manutenção de sua base de apoio, buscando preservar o respaldo de partidos do Centrão e de setores da base governista.
A eleição para a presidência do Senado está prevista para 1º de fevereiro de 2027. Para vencer no primeiro escrutínio, o candidato precisa conquistar pelo menos 41 votos entre os 81 senadores.
O presidente da Casa também exerce a presidência do Congresso Nacional e tem influência direta sobre a pauta legislativa, a condução dos trabalhos parlamentares e a tramitação de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.
Nesse contexto, a participação de Bolsonaro nas conversas com Marinho e Tereza Cristina pode ter importância na tentativa de organizar a oposição. A definição de um nome único será um dos principais desafios do grupo para a disputa contra Alcolumbre.
Mais do que uma eleição interna, a sucessão no Senado representa uma disputa pela influência política no Congresso Nacional e pela relação da Casa com o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal.
