A sessão da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) desta segunda-feira (22) foi marcada por um acalorado confronto verbal entre os deputados estaduais Renato Freitas (PT) e Ricardo Arruda (PL). O embate ocorreu poucas horas após a Justiça do Paraná aceitar uma denúncia apresentada pelo Ministério Público contra a esposa de Arruda e três ex-assessores ligados ao seu gabinete por supostos crimes de concussão e lavagem de dinheiro em um caso investigado como rachadinha.
Durante discurso na tribuna, Renato Freitas comentou a decisão judicial e criticou parlamentares que, segundo ele, utilizam discursos em defesa da família, da religião e da moralidade pública, mas acabam envolvidos em investigações por suspeitas de irregularidades. Ao citar o caso, o deputado petista mencionou a denúncia do Ministério Público e levantou questionamentos sobre a evolução patrimonial do colega de plenário.
A manifestação provocou reação imediata de Ricardo Arruda, que ocupou a tribuna para responder às acusações. O parlamentar afirmou que construiu seu patrimônio ao longo de décadas de atuação no setor financeiro e empresarial e negou qualquer envolvimento em práticas ilegais.
O momento mais tenso da sessão ocorreu quando Arruda elevou o tom das críticas ao adversário político, acusando-o de agir de forma leviana e ofensiva. A troca de acusações gerou repercussão entre os parlamentares presentes e aumentou a tensão no plenário da Alep.
A discussão teve como pano de fundo a decisão do juiz Peterson Cantergiani Santos, da 2ª Vara Criminal de Curitiba, que recebeu a denúncia oferecida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Além da esposa do deputado, Patrícia Miranda Arruda Nunes, também se tornaram réus três ex-servidores ligados ao gabinete parlamentar.
Na mesma decisão, o magistrado determinou o afastamento do servidor Bruno Palazzo da Silva de suas funções na Assembleia Legislativa. Segundo o Ministério Público, ele teria desempenhado papel relevante na operacionalização do suposto esquema investigado.
De acordo com a denúncia, os fatos teriam ocorrido entre 2018 e 2023 e envolvido aproximadamente R$ 132,8 mil. Os promotores sustentam que assessores e servidores comissionados vinculados ao gabinete eram obrigados a repassar parte de seus salários, recursos que posteriormente beneficiariam o deputado e integrantes de sua família.
Ricardo Arruda nega todas as acusações e afirma confiar na Justiça para demonstrar a inocência dos investigados ao longo do processo. O caso segue em tramitação na Justiça e deve ter novos desdobramentos nos próximos meses, mantendo o tema no centro do debate político paranaense.
