O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do partido à Presidência da República, solicitou participação em uma audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para discutir a proposta de aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
O pedido foi protocolado nesta segunda-feira (22), último dia do prazo de inscrições. A audiência está marcada para o dia 6 de julho, em Washington, enquanto a decisão final sobre a adoção ou não das medidas comerciais deverá ser anunciada até 15 de julho.
Na solicitação encaminhada ao órgão norte-americano, Flávio Bolsonaro pediu cinco minutos para discursar presencialmente na condição de senador da República e pré-candidato à Presidência. O parlamentar também informou que já discutiu o tema diretamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com o secretário de Estado, Marco Rubio.
Segundo o empresário e jornalista Paulo Figueiredo, o senador pretende argumentar que as tarifas não atingem os objetivos declarados pelos Estados Unidos e acabam prejudicando a população brasileira. De acordo com Figueiredo, Flávio defenderá a adoção de medidas alternativas que responsabilizem diretamente os agentes envolvidos nas divergências apontadas por Washington, sem impor custos à sociedade.
O documento enviado pelo gabinete do senador ao USTR indica que ele se posicionará contra a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros e também contra eventuais medidas que afetem o Pix, sistema de pagamentos instantâneos administrado pelo Banco Central.
A proposta defendida por Flávio Bolsonaro é a suspensão das sanções comerciais e a abertura imediata de um canal formal de negociação entre os dois países, com cronograma, metas e mecanismos de acompanhamento. Segundo o texto, a iniciativa permitiria preservar a capacidade de pressão dos Estados Unidos enquanto uma solução diplomática é construída.
O documento também sustenta que um eventual governo brasileiro de perfil reformista teria maior convergência com as posições defendidas por Washington em temas econômicos e comerciais. Entre os assuntos apontados como passíveis de negociação estão comércio digital, combate à corrupção, propriedade intelectual, etanol e políticas ambientais relacionadas ao desmatamento.
A discussão ocorre no âmbito de uma investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, mecanismo utilizado para apurar práticas consideradas injustas ou prejudiciais aos interesses dos Estados Unidos.
Entre as preocupações apontadas pelo órgão estão questões relacionadas ao Pix, acordos comerciais preferenciais, acesso ao mercado de etanol, políticas ambientais e segurança jurídica. O relatório também cita decisões judiciais brasileiras envolvendo plataformas digitais americanas como X, Meta e Google, além de críticas à condução de casos relacionados à Operação Lava Jato e acordos de leniência.
Caso as tarifas sejam implementadas, diversos produtos brasileiros poderão ser atingidos, embora algumas categorias já submetidas a tarifas específicas fiquem fora do alcance da nova medida. O tema tem mobilizado autoridades brasileiras e representantes do setor produtivo diante dos possíveis impactos para as exportações nacionais.
